Ventura diz que será "clarinho como água" na divulgação de donativos
Durante uma ação de campanha junto ao Mercado Municipal de Ourém, distrito de Santarém, André Ventura foi questionado pela agência Lusa sobre quando divulgará a lista de donativos da sua campanha ao Palácio de Belém.
Ventura afirmou que tal será feito "no 'site' da campanha", acrescentou que já existe uma forma de fazer donativos e que serão divulgados "logo que haja donativos e que estes estejam atribuídos".
"Pedimos a lista, se quiser hoje à tarde, é pedir ao nosso sistema e ele será divulgado, sem problema nenhum", afirmou.
Ventura garantiu que divulgará todos os donativos publicamente, algo que prometeu a 20 de dezembro, durante a pré-campanha, quando as questões de transparência foram levantadas a propósito da lista de clientes da empresa de Luís Marques Mendes, candidato apoiado por PSD e CDS-PP.
"Estou completamente disponível [para divulgar a lista de donativos para a campanha]. No fim, a meio, quando vocês entenderem", afirmou na altura André Ventura.
Interrogado sobre o porquê de ainda não o ter feito, o candidato respondeu que os donativos "só começaram a ser operacionalizados ontem [quarta-feira] à noite".
"Não se pode divulgar uma coisa que só ontem é que ficou disponível. Vai ficar disponível, acessível e perfeitamente escrutinável a todos. Nós queremos uma campanha de transparência. E desafio os outros candidatos a fazerem exatamente a mesma coisa, porque o nosso vai ficar tudo clarinho, tudo como água", prometeu.
Na campanha às presidenciais de 2021, a Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) concluiu que a candidatura de Ventura apresentava diversas irregularidades, entre as quais deficiências na prestação de contas, despesas não refletidas nas contas de campanha e ausência de registo dos gastos.
O relatório, divulgado em 2024, aponta ainda para a inexistência de suporte documental para alguns donativos e incumprimento do regime legal relativo a essas doações.
Segundo a ECFP, havia 20.040 euros em donativos que não tinham associado qualquer documento a suportar a ação.
Entre os donativos, havia 9.200 euros sobre os quais não era possível identificar a origem, comprometendo a legalidade dos valores recebidos pela candidatura, notou aquela entidade, referiu a ECFP, num processo que ainda não se encontra concluído.
Numa resposta enviada à RTP, a ECFP indicou que, no âmbito da análise às contas da campanha presidencial de 2021, "foi decidida a aplicação de coima ao candidato André Ventura", que foi objeto de recurso para o Tribunal Constitucional.
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