Venezuela: Presos políticos e familiares em greve de fome para libertação

Fevereiro 14, 2026 - 08:00
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Venezuela: Presos políticos e familiares em greve de fome para libertação

Vários familiares iniciarão a greve às 6 horas, hora local (10 horas TMG), de hoje, enquanto permanecem acorrentados desde quinta-feira perto da Zona 7 em protesto pelo não cumprimento da libertação dos presos, uma promessa feita há uma semana pelo presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez.

 

O Comité de Direitos Humanos do partido Vente Venezuela, liderado pela opositora e Prémio Nobel da Paz 2025, María Corina Machado, lamentou numa publicação na rede social X que os familiares sejam "castigados com a incerteza, com o silêncio imposto, com a dor de não saber" se os seus próximos serão libertados.

Machado valorizou ainda o facto dos familiares terem deixado claro que "não descansarão, não se calarão, não irão embora, até que cada um deles seja livre".

Cerca de dez pessoas passaram a noite e permanecem acorrentadas nas proximidades da Zona 7 para exigir a libertação dos respetivos familiares desde o passado dia 8 de janeiro, quando o presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina Delcy Rodríguez, anunciou a libertação de um "número significativo" de pessoas.

Há uma semana, Jorge Rodríguez esteve no exterior do comando da polícia na Zona 7 e garantiu que as libertações seriam efetivadas assim que o Parlamento aprovasse a lei de amnistia, o que estimou que ocorreria esta semana, mas o Parlamento venezuelano adiou a discussão na passada quinta-feira.

A Assembleia Nacional da Venezuela, controlada pelo chavismo, discutirá na próxima semana, num segundo e último debate, a aprovação da lei de amnistia para os casos de presos políticos desde 1999, que foi travada na semana passada devido a divergências sobre um artigo que exige que os processados e condenados se apresentem à Justiça.

O projeto enquadra-se num alegado "novo momento político", anunciado por Delcy Rodríguez, no contexto de um processo de libertação de presos iniciado no passado dia 08 de janeiro, cinco dias depois de os Estados Unidos terem capturado e extraído de Caracas o Presidente Nicolás Maduro para o levar a um tribunal em Nova Iorque.

Esta sexta-feira, a ONG Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) indicou nas redes sociais que um grupo de "mais de 300 presos" comuns iniciou uma greve de fome na prisão conhecida como Tocuyito, no estado venezuelano de Carabobo (norte), em protesto contra "supostas torturas físicas e psicológicas a que são submetidos diariamente".

Um total de 644 pessoas permanecem detidas na Venezuela por motivos políticos, de acordo com a ONG Foro Penal. Do total de presos políticos, 564 são homens e 80 mulheres, de acordo com o último boletim da organização, divulgado esta sexta-feira, com dados da última segunda-feira.

Dentro deste grupo, 459 são civis e 185 militares, e apenas um deles é menor de idade. Entre os presos políticos, há 55 estrangeiros ou com dupla nacionalidade.

Na terça-feira, o Foro Penal, que lidera a defesa legal dos presos políticos na Venezuela, informou que verificou 431 libertações desde 08 de janeiro até esta terça-feira às 18 horas (22 horas TMG).

O Foro Penal precisou que "não são consideradas libertações os casos em que, após sair de um centro de detenção, a pessoa permanece privada de liberdade sob prisão domiciliar", como acontece com vários opositores, entre eles o líder Juan Pablo Guanipa, próximo de María Corina Machado.

Veja os familiares na galeria acima.

Leia Também: Delcy nega acordo com Estados Unidos sobre libertação de presos políticos

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