Universidade expulsa estudante que pediu investigação a incêndio mortal

Fevereiro 13, 2026 - 17:00
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Universidade expulsa estudante que pediu investigação a incêndio mortal

"Acabei de ser expulso pela CUHK [sigla em inglês da Universidade Chinesa de Hong Kong]", disse Miles Kwan, de 24 anos, numa mensagem publicada nas redes sociais.

 

Kwan incluiu na mensagem parte de um email que tinha recebido da universidade na quinta-feira e disse que a instituição já o tinha suspendido duas vezes nos últimos seis anos.

O jovem disse hoje ao portal de notícias Hong Kong Free Press que já tinha obtido todos os créditos necessários para terminar o curso, algo que deveria ter acontecido formalmente em março.

Kwan sublinhou que foi convocado para uma reunião, em 07 de janeiro, de um comité disciplinar da CUHK devido a "múltiplos atos de má conduta", mas que o comité nunca relevou quais os alegados atos.

Em 26 de novembro, 168 pessoas morreram no complexo de habitação social Wang Fuk Court, na zona de Tai Po, no pior incêndio a atingir Hong Kong em quase oito décadas.

Em 29 de novembro, a polícia de Hong Kong deteve Kwan por suspeita de sedição - um crime que pode acarretar a pena de prisão perpétua - dias depois de o jovem ter lançado uma petição online, que chegou a reunir mais de mil assinaturas.

O estudante sublinhou que a CUHK admitiu "falta de informação" sobre a detenção e justificou a expulsão com a "atitude indelicada e desrespeitosa para com o comité" e uma alegada violação das regras de confidencialidade.

A petição incluía "quatro grandes exigências": alojamento para os residentes afetados, uma investigação independente, uma reforma do sistema de fiscalização de obras e responsabilização dos dirigentes públicos envolvidos.

Na altura, o comentador político Sonny Lo Shiu-Hing disse à Lusa que a petição fez lembrar o slogan "Cinco exigências, nem uma a menos", popular durante o movimento pró-democracia de 2019.

Os protestos, que exigiam o sufrágio universal e eleição direta do líder do governo e do parlamento, acabaram com a imposição, por parte de Pequim, de uma lei de segurança nacional.

Dias depois do incêndio, o líder do governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, criou uma comissão de inquérito independente, presidida por um magistrado, para esclarecer as causas do fogo e da sua rápida propagação.

A Comissão Independente contra a Corrupção de Hong Kong (ICAC, na sigla em inglês) anunciou hoje a detenção de 22 pessoas por suspeita de corrupção relacionada com sete projetos de renovação de edifícios.

Num comunicado, a ICAC disse que os suspeitos incluem diretores e funcionários de quatro empresas de consultoria de projetos e três empreiteiros, bem como vários presidentes de associações de proprietários de habitação social.

 

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