UE disponibiliza 800 mil euros para vítimas de terrorismo em Cabo Delgado
"Em resposta ao aumento da violência e às crescentes necessidades humanitárias no norte de Moçambique, a União Europeia está a disponibilizar 800.000 euros, cerca de 60 milhões meticais, em ajuda de emergência para apoiar uma resposta coordenada", lê-se num comunicado da UE enviado à Lusa.
Segundo a União Europeia, esta ajuda humanitária de seis meses visa aliviar o sofrimento das pessoas mais afetadas pela violência armada naquela região, evitar novas deslocações e reforçar a capacidade de apoio humanitário.
Os dados avançados pela UE indicam que desde julho a onda de novos ataques "deslocou milhares de pessoas, agravando a crise humanitária em Cabo Delgado e alastrando-se às províncias de Nampula e Niassa", com o registo de mais de 168 mil deslocados.
"O financiamento da União Europeia irá reforçar os esforços em curso dos parceiros para assegurar a assistência de emergência multissetorial, incluindo intervenções em matéria de acolhimento, água, saneamento e higiene", adianta-se no comunicado.
A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
A Organização das Nações Unidas (ONU) estimou na semana passada que pelo menos 44 pessoas morreram e outras 208 mil foram afetadas no mês de agosto pelos ataques de grupos extremistas em Cabo Delgado.
De acordo com um relatório de campo do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês), até agosto, Moçambique também reportou um total de 111.393 pessoas deslocadas, a maioria provenientes de Cabo Delgado (109.118), apesar de terem sido registadas movimentações de pessoas nas províncias de Niassa e Nampula.
"Os civis continuam a enfrentar graves riscos de segurança e proteção, incluindo raptos, pilhagens e ameaças", refere-se no documento, acrescentando-se que estes incidentes, em agosto, "resultaram em 44 mortos e 101 raptados, entre eles seis crianças e cinco mulheres".
Acresce que a insegurança, combinada com reduções "significativas" no financiamento humanitário, limitou "severamente" a capacidade dos parceiros para alcançar as populações afetadas.
"A violência contra civis, as operações militares, os avistamentos dos grupos armados não estatais e os rumores de raptos e pedidos de resgate tornaram o acesso imprevisível nos distritos com maior gravidade de necessidades e incidentes", descreve-se no relatório, acrescentando que a situação resultou na suspensão temporária das missões humanitárias nas zonas rurais dos distritos de Macomia, Quissanga, Muidumbe, Mocímboa da Praia, Meluco e Metuge no início de agosto.
Quase 93 mil pessoas fugiram de Cabo Delgado e Nampula desde finais de setembro devido ao recrudescimento dos ataques no norte de Moçambique, duplicando o número de deslocados em poucos dias, segundo anteriores dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, considerou, em 06 de outubro, como "atos bárbaros" e contra a "dignidade humana" os ataques que se registam em Cabo Delgado.
O Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED) contabiliza 6.257 mortos ao fim de oito anos de ataques em Cabo Delgado, alertando para a instabilidade atual.
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