"Terror". Os testemunhos dos sobreviventes do incêndio num bar na Suíça
Pelo menos 40 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas na sequência de um incêndio que deflagrou num bar da estância de esqui de Crans-Montana, na Suíça, na madrugada do primeiro dia do ano. Volvidos dois dias, surgem testemunhos daqueles que se conseguiram salvar.
Um sobrevivente relatou que quando o fogo começou foram várias as pessoas que começaram a partir as janelas por forma a escapar, tendo descrito a cena como "um filme de terror".
"Havia pessoas em chamas que partiram o vidro porque a porta era muito pequena", contou Victoria, uma das sobreviventes daquela que é considerada uma das piores tragédias do país, à ABC News, notando ainda que havia cerca de "300 pessoas" a tentar fugir.
Victoria caracterizou o momento como "desesperador", explicando que tanto ela como os amigos tiveram a sorte de conseguir escapar.
"Eu e os meus amigos fomos os primeiros a perceber que havia um incêndio. Quando saí, o bar todo estava em chamas", continuou.
Já uma outra testemunha revelou que estava a entrar no bar Le Constellation quando viu o prédio "explodir" do lado de fora.
"As pessoas estavam a bater nas janelas e a gritar. Parecia um filme de terror. As pessoas caíram uma sobre as outras ao sair, completamente queimadas", contou Oscar, de 19 anos, à Sky News.
Nathan Huguenin, de 19 anos, um outro sobrevivente, afirmou que depois de conseguir fugir do bar não conseguiu dormir.
"Sinto que é um pesadelo, que vou acordar a qualquer momento. Fechei os olhos e tudo regressou à minha mente porque vi pessoas a serem reanimadas. Vi pessoas completamente queimadas, vi pessoas a morrer", relatou.
O que se sabe sobre incêndio?
O incêndio deflagrou pelas 1h30 locais (00h30 em Lisboa) de quinta-feira, seguindo-se uma explosão, no bar-discoteca La Constellation, na estância de Crans-Montana. Segundo explicou a procuradora de Valais, Beatrice Pilloud, "o fogo alastrou-se e, à medida que se intensificava, causou uma explosão generalizada".
"Contamos cerca de 40 mortos e cerca de 115 feridos, a maioria em estado grave", anunciou o chefe da polícia, Frédéric Gisler, durante uma conferência de imprensa em Sion (sudoeste da Suíça), enquanto ao seu lado o presidente da confederação, Guy Parmelin, referia que esta foi "uma das piores tragédias" que a Suíça já conheceu.
O que causou o incêndio?
As causas do incêndio ainda estão a ser investigadas, mas as autoridades suíças já descartaram a possibilidade de ter sido um atentado. "Gostaria de esclarecer que, nesta fase, estamos a tratar isto como um incêndio e que não há qualquer indício de um ataque", afirmou a procuradora de Valais.
Duas mulheres contaram ao canal francês BFMTV que estavam no interior do estabelecimento quando viram um barman a transportar uma barmaid aos ombros enquanto esta segurava uma vela acesa numa garrafa. As chamas propagaram-se, derrubando o teto de madeira, segundo disseram à estação.
As pessoas tentaram desesperadamente escapar da discoteca no subsolo subindo uma escada estreita e passando por uma porta estreita, formando uma multidão, disse uma das mulheres.
Outro jovem que estava no local disse que as pessoas partiram janelas para escapar ao incêndio e que algumas ficaram gravemente feridas, noticiou a BFMTV. Disse ter visto cerca de 20 pessoas a lutar para sair do fumo e das chamas, comparando o sucedido a um filme de terror.
As vítimas
A primeira vítima mortal foi identificada como Emanuele Galeppini, um jovem golfista italiano. Num comunicado, a Federação Italiana de Golfe lamentou a perda de um "jovem atleta que personificava a paixão e os valores autênticos".
Já este sábado, a polícia helvética anuncio a identificação das primeiras quatro vítimas do incêndio num bar na localidade de Crans-Montana, todas de nacionalidade suíça, entre as quais dois menores.
Trata-se de duas suíças, de 21 e 16 anos, e dois rapazes, de 18 e 16 anos, cujos restos mortais foram entregues às famílias, informaram as autoridades.
"As investigações e os procedimentos de identificação dos mortos e dos feridos continuam a decorrer", acrescentou a polícia do cantão de Valais.
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