"Tenho dúvidas se a ministra tem condições. Sente-se que está cansada"

Novembro 5, 2025 - 15:00
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"Tenho dúvidas se a ministra tem condições. Sente-se que está cansada"

A antiga ministra da Saúde, Ana Jorge, manifestou, na terça-feira, ter “algumas dúvidas” de que a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, tenha "condições para se prolongar muito mais tempo” no cargo, tendo em conta que, “do ponto de vista pessoal, sente-se que está muito cansada e desgastada”.

 

“Tenho algumas dúvidas se esta ministra tem condições para se prolongar muito mais tempo, por várias razões. Do ponto de vista pessoal, sente-se que a ministra está muito cansada e desgastada. Está num setor muito complexo em que todos os ramos estão descontentes – desde os utentes aos profissionais – e não se entende muito bem qual é a orientação que o primeiro-ministro quer para a Saúde”, disse a ex-responsável pela tutela de um executivo PS, em declarações à CNN Portugal.

Ana Jorge concretizou que, face à pressão, “sente-se que é da parte do primeiro-ministro a vontade que se mantenha a ministra Ana Paula Martins, porque estará, segundo ele diz, para aprovar alguns diplomas que estão agora para sair”.

A antiga governante apontou ainda ser “muito difícil, dadas as condições em que estamos, ter capacidade e conseguir envolver todas as pessoas necessárias dentro do Serviço Nacional de Saúde (SNS), porque é isso que está mais em risco”.

“São os profissionais de saúde, os próprios utentes, com confiança no próprio sistema e no serviço e isso precisa, provavelmente, de uma força e de uma renovação maior. Neste momento, ao fim deste tempo, o cansaço, muitas vezes, não dá espaço para ter um novo impulso”, disse.

A ex-ministra ressalvou, contudo, que não basta mudar o tutelar para se resolverem os problemas da área, sendo, para isso, necessário haver um plano.

“Não é só mudando o ministro que se resolvem os problemas do Ministério ou da Saúde de um país. É preciso haver um plano, é preciso perceber qual é o caminho. O problema que se tem vindo a situar fundamentalmente são as urgências, mas não é resolvendo as urgências que se resolve o problema da Saúde. É preciso dar enfoque a outras áreas para que as urgências diminuam a sua pressão”, esclareceu, recordando que, “se houver mais resposta a nível de proximidade, as pessoas procuram menos a urgência”.

Já quanto ao pacto de regime proposto pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, Ana Jorge assumiu não saber se será possível chegar a um consenso entre todos os partidos, “porque há algumas linhas muito diferentes umas das outras”. Lembrou, contudo, que no passado “conseguiu-se um bom serviço de saúde público não com um pacto de regime, mas com uma coordenação entre os governos que se sucediam, mesmo de orientação política diferente”.

“Faria todo o sentido que o Governo que está neste momento em funções ouvisse os partidos, nomeadamente o PS, que na área social é mais próximo do PSD, para haver algum entendimento e sair desta fase tão difícil em que estamos”, apelou.

Ainda assim, e em comparação com o período em que exerceu o cargo, nos dois governos de José Sócrates, Ana Jorge assumiu que a pasta da Saúde, “neste momento, é mais difícil” de gerir.

“Há vários fatores. Um são os recursos humanos, que são menos em função do número de utentes. Depois, há uma destruturação muito grande das carreiras, ou melhor, não existem carreiras definidas, e não há SNS sem carreiras e não há carreiras sem SNS. Esta é uma conjugação importante que é bom ter em conta para poder solidificar aquilo que é um serviço público de saúde”, disse.

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