'Taberneiro' que juntou cacos de Amorim. Como Rui Borges mudou o Sporting
A reta final do ano de 2024 foi um autêntico 'mar' de mudanças para os lados de Alvalade. A saída de Ruben Amorim para o Manchester United abriu caminho a uma onda de incerteza e de derrotas a que o Sporting não estava habituado. João Pereira não resistiu neste período de transição, e do norte de Portugal veio a solução que se revelaria certeira.
Ainda na ressaca do que tinha sido a noite de Natal, e após quatro derrotas em oito jogos para João Pereira, o Sporting surpreendeu tudo e todos com a chegada de Rui Borges. A fazer uma boa época no Vitória SC, depois de passos sólidos em projetos como o do Moreirense e o do Mafra, o técnico, então com 43 anos, tinha pela frente o maior desafio da carreira.
"Que o futuro seja risonho. Não sou muito de falar, sou muito sincero, honesto e puro. Acima de tudo, muito honrado por poder representar este grande clube", frisou, na altura, Rui Borges na cerimónia de apresentação. O que o treinador natural de Mirandela, provavelmente, não antevia era o sucesso que teria em maio desse ano.
Rui Borges mal tinha colocado mãos à obra e pouco conhecia os seus jogadores e o sistema tático em que atuavam quando recebeu de 'prenda' um ciclo de quatro duelos de elevada dificuldade. Tudo começou três dias depois da apresentação. Houve dérbi com o Benfica em Alvalade e Geny Catamo deu os três pontos ao mirandelense na estreia.
Seguiu-se o regresso a Guimarães, de onde tinha saído há pouco maus de uma semana, e um louco empate contra o Vitória SC (4-4). Depois, apareceu a final four da Taça da Liga. Um triunfo diante do FC Porto (1-0), o segundo para Rui Borges em jogos com grandes em pouco mais de duas semanas, reservou uma final com o Benfica. Aí, o clube da Luz vingou a derrota em Alvalade para o campeonato e venceu a Taça da Liga nos penáltis (6-7).
A época seguia e era altura da estreia na Liga dos Campeões para a equipa técnica leonina. O adversário foi o RB Leipzig, e Rui Borges não evitou a primeira de duas derrotas que iria ter nessa temporada. Por esta altura, o Sporting atuava num sistema tático assente no 4x4x2, o preferido do mirandelense, que contrastava com o 3x4x3 que o Sporting vinha utilizando desde a chegada de Ruben Amorim a Alvalade.
Um março de mudanças e um maio de festa
As semanas que se seguiram mostraram um Sporting a passar por um período periclitante ao nível das suas exibições e resultados, tendo perdido o avanço pontual que possuía. A este tremelique juntou-se uma série de lesões que foi retirando de Rui Borges alguns nomes de peso, como Pedro Gonçalves ou Nuno Santos. Um problema que, de resto, se volta a repetir esta temporada. Mas já lá vamos.
Ao final do mês de março, e já depois da eliminação na Liga dos Campeões com uma derrota em casa (0-3) e um empate sem golos diante do Borussia Dortmund pelo meio, Rui Borges optou por um recuo para o sistema tático de 3x4x3 anteriormente protagonizado por Ruben Amorim e que estava a gerar bons desempenhos e também em bons resultados. A mudança parece ter colocado os jogadores num sistema que dominam, levando a equipa a recomeçar a recuperar a identidade que parecia perdida.
Coincidência ou não, e depois do empate em casa do AVS (2-2), o Sporting teve pela frente 15 jogos até final da temporada. Foram alcançadas 13 (!) vitórias e dois empates: um em casa do Sporting de Braga (1-1) e outro na Luz diante do Benfica (1-1). A senda de vitórias começou na Taça de Portugal diante do Gil Vicente. Foi neste jogo que Rui Borges se viu envolto numa das maiores polémicas desde que chegou a Alvalade.
Após a vitória pela margem mínima em Barcelos, Rui Borges disse que a equipa de César Peixoto teria mais pontos na I Liga se apresentasse a mesma atitude competitiva que tinha tido neste duelo da Taça. Um comentário que lhe valeu o apelido de taberneiro. Taberneiro ou não, o mirandelense levaria o Sporting ao bicampeonato em maio, algo que aconteceu 71 anos depois, num campeonato decidido com o Benfica na última ronda. E dias depois celebraria a dobradinha com a vitória na Taça no Jamor diante do rival encarnado (1-3).
'Gyodependência' terminou e apareceu o 'prime' Trincão
A chegada do mercado de verão trouxe novidades para Alvalade. Após mais uma época de nível elevado, Viktor Gyokeres deixou o Sporting rumo ao Arsenal, não sem depois de uma novela intensa que envolveu, inclusive, uma recusa do sueco em regressar a Lisboa. Dossiê fechado, era tempo de se investir num novo avançado.
Muitos disseram que o Sporting não ia conseguir superar a saída do goleador nórdico, mas essas previsões saíram furadas. É certo que Luis Suárez não faz esquecer Gyokeres, mas o colombiano tem correspondido às expectativas. Aliado a isto, Rui Borges voltou a mudar o sistema tático para o 4x3x3, o seu preferencial, e viu 'explodir' alguns dos seus jogadores, como é o caso de Francisco Trincão que tem sido um dos destaques esta temporada. Pote, por seu turno, volta a estar a contas com lesões, uma tormenta que parece não largar o departamento médico dos verde e brancos.
No meio destas muitas alterações, e algumas saídas no mercado de verão, o Sporting não perdeu o cunho de clube formador. Em concreto, em menos de 365 dias, Rui Borges estreou já nove jogadores da formação na equipa principal. José Silva, David Moreira, Eduardo Felicíssimo, Alexandre Brito e Lucas Anjos receberam bilhetes dourados na época passada. Já esta temporada, Salvador Blopa - que inclusivamente foi titular e bisou - juntou-se a Flávio Gonçalves, Chris Grombahi e João Muniz.
A renovação que assinava "sem problema"
Numa altura em que o Sporting segue em velocidade cruzeiro no que diz respeito a rever os contratos dos seus trabalhadores - esta semana foram Gonçalo Inácio e Diego Callai e outros nomes devem seguir-se nos próximos dias, como Geny Catamo, Francisco Trincão e Ousmane Diomande - Rui Borges também deve merecer esta prenda de Natal.
O técnico de Mirandela, de 47 anos, tem contrato até junho de 2027, mas não escondeu que está disponível para assinar uma renovação contratual.
"Assinava, sem problema algum. Mas não é algo que me passe pelo pensamento. Tenho contrato até 2027 e sei bem da confiança que têm em nós. Apenas focado e só em fazer o meu trabalho, que acho que tem sido bem feito. Tudo o resto é consequência disso. Vou sempre olhar para o futuro", ressaltou Rui Borges.
Por esta altura, o Sporting corre atrás do tricampeonato (e de mais troféus), estando a cinco pontos do líder FC Porto, quando nem a metade da I Liga estamos. A carreira na Liga dos Campeões também tem corrido de forma positiva e a qualificação direta para os oitavos de final até à porta.
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