Surfista brasileiro quase morreu afogado na Nazaré: "Nunca senti..."

Dezembro 6, 2025 - 11:00
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Surfista brasileiro quase morreu afogado na Nazaré: "Nunca senti..."

O que podia ser mais um dia e mais uma onda surfada para Carlos Burque acabou por ser um momento de aflição. O surfista brasileiro viveu, na passada quarta-feira, um daqueles sustos que se levam para a vida.

 

Tudo aconteceu em Portugal. O experiente surfista, de 58 anos, foi apanhado por uma onda gigante na Nazaré, arrastado pelo mar e salvo depois pela equipa de resgate. As imagens das ondas, e que poderá ver na galeria acima, provam bem a bravura do mar.

O resgate, descrito como dramático por algumas das testemunhas, teve ação decisiva dos brasileiros Lucas Chumbo, campeão de ondas gigantes da Nazaré, e Willyam Santana, especialista em ondas gigantes. Toda a ação foi filmada pela equipa e pela câmara que transportava consigo.

Carlos Brule não perdeu os sentidos nos momentos em que esteve debaixo de água, mas esteve em dificuldades por ter ido ao fundo. O surfista demorou algum tempo a ativar o colete insuflável para o levar de volta à superfície. Depois de ter sido retirado da água com sucesso, o brasileiro foi recebeu atendimento imediato de bombeiros na areia e acabou por ser transportado para o hospital.

Já recuperado do susto, Carlos Burque foi entrevistado pelo portal brasileiro UOL Esporte, revelando que nunca sentiu tanta vontade de respirar.

"Foi o meu pior momento, com certeza. Eu nunca senti tanta vontade de respirar. Perdes muita oxigenação. O corpo aciona a emergência, então tu ficas só a sobreviver. Mas eu respondia a tudo. Quando o Lucas me perguntou como eu estava, eu disse: 'Estou mal, leva-me para a praia'", começou por dizer, recordando os momentos em que não foi capaz de acionar o colete insuflável.

"Fui muito fundo. A pressão da profundidade nos pulmões, junto com o colete expandido e todas aquelas roupas de borracha, dificultou muito a minha respiração. Quando eu subo, eu não tenho tempo para recuperar. Já levo com a segunda onda", prosseguiu, recordando o processo de resgate.

"Eu lembro-me de tudo. Lembro-me assim... há uns momentos quando o Lucas me apanha que eu, pela falta de energia, não consigo acompanhar tudo. Quando ele me apanha e nós caímos novamente, tudo entra no automático na minha cabeça. Eu nunca senti tanta vontade de respirar. Depois de me tirarem o meu colete na praia, parecia que eu tinha nascido de novo. O meu pulmão estava apertado, eu queria respirar e não conseguia. É muito má a sensação", sublinhou ainda Carlos Burque.

"Queria fazer umas imagens, e desde a primeira onda que o Lucas me puxou, estava com a câmera na boca a filmar para um lado, a filmar para o outro. Nessa onda, quis fazer uma imagem de frente. Quando caio, continuo a segurar com as duas mãos para não perdê-la. Por isso, demoro para acionar o dispositivo, o cilindro. E quando aciono o cilindro, demoro para subir, porque eu fui muito fundo", recordou ainda.

"O que aconteceu foi excesso de confiança. Essas imagens são boas, mostram a intimidade do desporto. Mas hoje questiono-me: até onde vamos para fazer uma boa imagem? É justo pensar-se assim. Eu acho muito bom fazer imagens. Eu trabalho com isso muito na minha vida, sempre fiz. Sinto-me confortável a pilotar e fazer imagem, surfar e fazer imagem. Mas hoje questiono-me sobre isso", finalizou.

Veja na galeria acima as imagens do processo de resgate.

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