Spinumviva? José Luís Carneiro lamenta "crise política" e recursos gastos
"O PS tem por hábito não comentar as decisões da justiça e de respeitar essas decisões. Naturalmente que não podemos deixar de lamentar que tantos meses tenham passado, tenha havido uma crise política e se tenham exaurido tantos recursos a propósito de um assunto que, nos termos próprios e no tempo oportuno, poderia sido esclarecido devidamente", declarou José Luís Carneiro, em Bruxelas.
Falando à entrada para uma reunião de líderes do Partido Socialista Europeu que antecede o Conselho Europeu que começa hoje em Bruxelas, Carneiro reforçou que, devido à averiguação preventiva à Spinumviva, empresa da família do primeiro-ministro, Portugal viveu uma crise política e "muitos recursos foram exauridos por força precisamente do momento eleitoral", quando o Governo deveria estar a dar resposta às "preocupações fundamentais das pessoas", designadamente a nível de habitação, saúde e salários.
Questionado sobre se fez sentido ir para eleições legislativas, o secretário-geral do PS afirmou que, do seu ponto de vista, "não teria havido necessidade, não fosse a vontade do primeiro-ministro de submeter à consideração do parlamento se o parlamento lhe dava a confiança política".
"Como sabe, o parlamento faz o seu juízo em função das circunstâncias concretas da vida do país. O parlamento entendeu que o primeiro-ministro não merecia a sua confiança, foi a decisão e o juízo do parlamento", disse.
Relativamente às críticas tecidas na quarta-feira à noite por Montenegro à investigação de que foi alvo, juntamente com a sua família, José Luís Carneiro disse não ter "nada a comentar além daquilo que já disse".
Numa declaração ao país na quarta-feira à noite, desde Bruxelas, Luís Montenegro congratulou-se com o arquivamento pelo Ministério Público da averiguação preventiva ao caso Spinumviva, que disse ter aguardado "com tranquilidade", mas criticou o "autêntico inquérito criminal" a que foi submetido.
"Depois da avaliação e pronúncia da Ordem dos Advogados, da Procuradoria Europeia, do Ministério Público e da Polícia Judiciária, todas estas instituições convergem na conclusão da inexistência de indícios de ilegalidade ou ilícitos criminais e todas arquivaram os respetivos procedimentos", declarou o chefe de Governo.
Segundo Montenegro, "o Ministério Público, coadjuvado pela Polícia Judiciária, promoveu uma averiguação preventiva que, na prática, foi um autêntico inquérito criminal, tal foi o alcance das diligências efetuadas e os elementos probatórios apreciados".
Falando num inquérito que "foi mais longe do que o normalmente admissível", Luís Montenegro indicou terem sido analisados movimentos e extratos bancários seus, da sua mulher e dos seus filhos, bem como fluxos financeiros e património.
"Esperei com tranquilidade este dia. Digo mesmo, com muita tranquilidade. É verdade, sofrendo por ver os meus sofrer, mas imensamente tranquilo. Hoje é o dia para vos dizer que continuarei firme a conduzir a governação do país, com espírito humanista e reformista", adiantou.
A averiguação preventiva à Spinumviva, empresa da família do primeiro-ministro Luís Montenegro, foi arquivada na terça-feira, anunciou hoje a PGR.
Em causa estavam suspeitas do perigo da prática do crime de recebimento ou oferta indevidos de vantagem, que não foram confirmadas pela análise aos elementos fornecidos por diversas entidades ao Ministério Público.
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