Sem resposta de Montenegro, Carneiro atira: "Governo está a falhar"

Fevereiro 18, 2026 - 15:00
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Sem resposta de Montenegro, Carneiro atira: "Governo está a falhar"

O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, começou o seu discurso esta quarta-feira com uma afirmação taxativa: "O Governo está a falhar na resposta".

 

Durante uma conferência de imprensa, na sede do partido, Carneiro elencou uma série de medidas, "sugestões", para o Executivo de Luís Montenegro de apoio a todos os afetados pelo mau tempo.

O líder socialista começou por reiterar o pedido de prolongação do estado de calamidade até ao final de junho e também de alargamento do mesmo, para que possa abranger mais municípios. Carneiro explicou que a prorrogação do estado de calamidade permite "mecanismos ágeis" que ajudaram o Governo a "responder às necessidades" das populações afetadas pelo mau tempo.

Logo a seguir, o socialista voltou a tocar num tema, que também não é novidade: "manter a isenção no pagamento das portagens, particularmente nos territórios em que a circulação rodoviária se encontra limitada" de tal forma que provoca prejuízos não só às populações, como também às empresas.

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Carneiro seguiu depois para os apoios anunciados pelo Governo para ajudar as famílias afetadas, afirmando que "se deve ir mais longe" no que toca aos apoios para recuperação das habitações.

"Os custos da recuperação de habitação estão muito acima dos dez mil euros" com que o Executivo se compromete a ajudar, explicou o líder do PS. Por isso mesmo, é preciso que "o Estado comparticipe esse esforço das famílias", garantindo que o esforço das mesmas acima desses dez mil euros não é "superior a 10% do rendimento do ano anterior".

E em casos em que as famílias estejam a pagar um crédito à habitação "o esforço não deve ser superior a 30% do rendimento do ano anterior".

Apoios a trabalhadores e empresas

Enquanto isso, para os trabalhadores, Carneiro considerou que o Governo deve voltar atrás para a sua promessa inicial em relação aos layoffs. Numa primeira fase, o Executivo assegurou que os trabalhadores nesta situação não iriam ter qualquer perda do salário até aos 2.760 euros. Agora, garante o que já estava previsto no código do trabalho: dois terços do salário.

"O Governo não quer assegurar aquilo com que se tinha comprometido inicialmente", acusou o líder do PS.

Já em relação às empresas, Carneiro defendeu dois tipos de apoio, à tesouraria e ao investimento.

O primeiro relaciona-se com a faturação dos negócios. "Demonstradas perdas entre fevereiro e abril, o Estado deve apoiar até três salários mínimos por trabalhar em cada empresa e em função das percentagens das perdas de faturação", explicou.

Nos apoios ao investimento considerou que deve ser aplicado um mecanismo "equivalente aos apoios que hoje são atribuídos às empresas para constituírem novos equipamentos ou adquirirem novas máquinas". A "reposição do capital fixo deve ter o mesmo valor de apoio que tem a recuperação dos estragos provocados nesse capital fixo", explicou.

Carneiro enviou 5 cartas a Montenegro que não tiveram resposta

A conferência de imprensa de José Luís Carneiro surge no dia a seguir ao próprio revelar, em entrevista ao jornal Público, que já enviou cinco cartas ao primeiro-ministro com propostas para solucionar vários problemas (da Justiça, à Saúde e incluindo os prejuízos do mau tempo). Nenhuma das missivas teve resposta.

"No Parlamento, o primeiro-ministro disse que era preciso entrar em conversação, mas essa conversa nunca aconteceu. Nem comigo, nem com responsáveis do grupo parlamentar, nem com membros do Governo. Houve uma declaração de intenção. Na prática, não houve diálogo ou qualquer contacto para dar seguimento às propostas que apresentámos", denunciou, alertando que "a paciência tem limites".

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