Sem Ozempic para tão 'Gordo(n)' problema, Benfica passa fome na Champions
Originalmente criado para controlar a diabetes tipo 2, com recurso a semaglutido, uma substância que atua na regulação do apetite e da glicose, o Ozempic tornou-se popular, nos últimos anos, sobretudo, como uma 'cura milagrosa' para o excesso de peso, no mundo das celebridades. E é, neste momento, precisamente de uma 'cura milagrosa' que o Benfica precisa, para salvar as contas da Liga dos Campeões.
Ao cabo de três jornadas, o Benfica é, a par de Athletic Bilbao e Ajax (que ainda vão defrontar Qarabag e Chelsea, respetivamente, na quarta-feira), a única equipa que ainda não somou um único ponto da fase de liga daquela que é a maior competição europeia de clubes, pelo que, por muito que José Mourinho insista que o apuramento para a próxima fase continua a ser possível, a verdade é que vai-se afigurando como um desfecho cada vez mais improvável.
Depois de Qarabag e Chelsea, o Benfica foi, esta terça-feira, a St. James' Park averbar mais uma derrota internacional, desta feita, perante o Newcastle, por categóricos 3-0, numa partida na qual só Dodi Lukébakio lutou por outro resultado, apesar da importância que a mesma tinha para as aspirações coletivas.
Os encarnados tiveram algumas problemas em apanhar o ritmo do jogo, isto pese embora tenha sido evidente a vontade que tinham de levar algo de Inglaterra, tal a agressividade que impuseram em cada lance, nos primeiros instantes. De tal maneira que o primeiro sinal de aviso surgiu logo ao oitavo minuto, onde só a presença de António Silva no sítio certo impediu uma bola aparentemente 'letal' de Jacob Murphy de chegar a Jacob Ramsey.
Ainda assim, aos poucos, a equipa portuguesa foi-se conseguindo 'libertar de amarras', explorando uma debilidade óbvia dos magpies: a 'dureza de rins' de Dan Burn. As bolas longas para a ala esquerda surgiram em catadupa, e Dodi Lukébakio deu-lhes o melhor tratamento que pôde, tendo mesmo chegado a 'disparar' uma delas ao poste, com um belíssimo remate colocado.
Ainda assim, a esperança das águias não durou muito tempo. Aos 32 minutos, o meio-campo dos homens da casa intercetou um passe de Tomás Araújo para Fredrik Aursnes e partiu de imediato para o ataque, com Anthony Gordon a deixar para trás a marcação de Amar Dedic para, completamente solto, atirar para o fundo das redes.
Pedia-se uma resposta à altura, mas o que se seguiu foi um segundo tempo de claro 'amasso' inglês. No regresso aos balneários, o Benfica não teve o mínimo espaço para 'respirar', e acabou por tombar com estrondo, fruto de dois remates certeiros de Harvey Barnes, que 'saltou' do banco de suplentes, aos 63 minutos, para o lugar de Jacob Murphy, para bisar, aos 70 e 83 minutos.
O Benfica permanece, desta maneira, a 'zeros', na Liga dos Campeões, pelo que mora no fundo da tabela. O Newcastle, por seu lado, passa a somar seis pontos e ascende, provisoriamente, ao sexto lugar, em igualdade com Barcelona (que, horas antes, goleou o Olympiacos, por 6-1), Bayern Munique, Real Madrid e Qarabag (trio que, no entanto, só irá entrar em cena esta quarta-feira).
Figura
Anthony Gordon foi uma 'dor de cabeça' constante para este Benfica. O internacional inglês desfez o nulo, aos 32 minutos, mas não se deu por satisfeito, e assistiu Harvey Barnes para o golo que selou o resultado final, já aos 83, sendo que José Mourinho nunca conseguiu encontrar a 'fórmula mágica' para cancelar as suas sucessivas investidas.
Surpresa
O Newcastle partiu para a segunda parte empenhado em fechar a vitória sobre o Benfica o mais rapidamente possível, e a entrada de Harvey Barnes para o lugar de Jacob Murphy, aos 63 minutos, acabou por revelar-se fundamental. O internacional inglês entrou com tudo e marcou os dois golos que 'mataram', de uma vez por todas, as aspirações portuguesas.
Desilusão
Exibição muito fraca de Amar Dedic, particularmente, no plano defensivo, onde todas as suas fragilidades foram colocadas 'a nu', sendo o momento mais flagrante de todos a maneira displicente como deixou escapar Anthony Gordon, no lance do primeiro golo do Newcastle. Nem mesmo na fase atacante, onde costuma ser particularmente preponderante, conseguiu fazer a diferença, naquela que terá sido, provavelmente, a sua pior exibição ao serviço do Benfica.
Treinadores
Eddie Howe: 'Andamento' será, porventura, a palavra adequada para explicar aquilo que fez a diferença, em St. James' Park, entre Newcastle e Benfica. No plano físico, a diferença entre ambas as equipas foi colossal, tendo o treinador dos magpies conseguido acrescentar a isso uma abordagem tática assente no 'maestro' Anthony Gordon, que 'despedaçou' por completo o Benfica, sobretudo, no segundo tempo.
José Mourinho: A estratégia do Special One revelou-se um autêntico 'tiro ao lado'. Tomás Araújo não acrescentou nada, no lado esquerdo da defesa, e Georgiy Sudakov não ajudou minimamente Vangelis Pavlidis, na frente. Dodi Lukébakio bem tentou 'remar contra a maré', mas nunca teve quem o conseguisse apanhar, pelo que, apesar do perigo criado na primeira parte, o 'descalabro' da segunda surgiu com relativa normalidade.
Árbitro
A vitória do Newcastle não merece qualquer tipo de contestação, mas a verdade é que a prestação de Szymon Marciniak esteve longe de ser a melhor. Só no primeiro tempo, o polaco conseguiu perdoar um cartão amarelo a Kieran Trippier, por entrada sobre o tornozelo de Enzo Barrenechea, e transformar uma falta de Anthony Gordon sobre Dodi Lukébakio numa cartolina para o jogador do Benfica. Logo no arranque do segundo tempo, fez 'vista grossa' a uma falta sobre Fredrik Aursnes, num lance no qual Anatoliy Trubin teve de aplicar-se para manter a equipa no jogo.
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