Seguro ou Ventura? Apoios para segunda volta começam a ser revelados
António José Seguro e André Ventura são os vencedores da primeira volta das eleições presidenciais de 2026. Os candidatos a sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa vão agora disputar, a 8 de fevereiro, a segunda volta do ato eleitoral, que vai culminar na eleição do novo chefe de Estado.
Dos candidatos que ficaram pelo caminho, apenas os de Esquerda parecem estar unidos com num único objetivo: eleger António José Seguro.
Durante a noite de domingo, foram vários os que apelaram já ao voto no socialista.
"Percebo que todos os democratas fiquem preocupados. Devo dizer-lhes que a resposta adequada é votar em António José Seguro na segunda volta", vincou Catarina Martins, durante o seu discurso da noite eleitoral.
Um apelo apoiado pelo coordenador do Bloco de Esquerda (BE), José Manuel Pureza, que vai propor à Mesa Nacional do partido que apele ao voto no socialista.
António Filipe, que ficou em 7.º lugar nas eleições de domingo, também considerou que é necessário derrotar os "propósitos reacionários" de André Ventura. "O apelo ao voto no candidato António José Seguro não significa um apoio ao candidato e àquilo que ele defendeu enquanto candidato e o que tem defendido ao longo da sua atividade política, mas significa a vontade imperiosa de derrotar o candidato André Ventura", salientou o comunista.
O mesmo defendeu o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo. "Esta é uma opção que exige de forma clara e evidente o voto contra a candidatura de André Ventura e que conduz o voto em António José Seguro", afirmou, numa reação aos resultados das eleições presidenciais.
Também na noite de ontem, Jorge Pinto, o candidato apoiado pelo Livre que reuniu a menor quantidade de votos entre a Esquerda, também anunciou o apoio ao socialista na segunda volta. "Irei lutar por ele na segunda volta", garantiu.
Um apoio que, aliás, foi também anunciado pelos líderes do Livre, Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes.
O mesmo vai fazer André Pestana. Já Humberto Correia e Manuel João Vieira não revelaram o seu sentido de voto e Henrique Gouveia e Melo, que ficou em quarto lugar na primeira volta das eleições presidenciais, não quis se comprometer com nenhum apoio, pelo menos por enquanto.
"É muito precoce para manifestar qualquer opinião a esse respeito (...) Vou reservar isso para outro momento", afirmou o almirante na noite de domingo.
Entretanto, já na manhã de hoje foram surgindo outros apoios. O PAN - Pessoas-Animais-Natureza decidiu apoiar a candidatura de António José Seguro.
Direita dividida
Já a Direita parece estar dividida. Luís Marques Mendes optou pela neutralidade, assim como o primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, uma atitude que está a gerar controvérsia.
Se por um lado há quem perceba a posição do atual presidente do PSD e Chefe de Governo, por outro, há quem a critique, uma vez que, muitos concordam o que está em causa é a defesa da democracia.
Com o decorrer das horas foram, inclusive, surgindo vários nomes de sociais-democratas que quiseram deixar bem claro em que votarão.
É o caso de Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal do Porto. "Não tenho a mais pequena dúvida em quem vou votar, isso é absolutamente claro e inequívoco: Vou votar no António José Seguro", garantiu o autarca e ex-ministro dos Assuntos Parlamentares do primeiro governo de Luís Montenegro, na CNN Portugal, na noite de domingo.
Tal como ele, também Miguel Poiares Maduro, que foi ministro de Pedro Passos Coelho, anunciou em direto, na RTP, que na segunda volta das presidenciais vai apoiar Seguro.
Por sua vez, o antigo ministro social-democrata António Capucho demonstrou o seu apoio ao candidato socialista através das redes sociais, criticando a opção de Montenegro em não apoiar Seguro, uma vez que considera que "Ventura não deve ser identificado enquanto líder da Direita mas sim da extrema-direita populista e reacionária".
João Cotrim de Figueiredo, o terceiro candidato mais votado no domingo 18 de janeiro, com 16% dos votos, lamentou o "erro estratégico da liderança do PSD" que deverá resultar num Presidente da República "oriundo do PS". Disse que os portugueses terão em mãos uma "péssima escolha" na segunda volta mas não quis adiantar em quem votará.
"Não tenciono endossar ou recomendar o voto em qualquer dos candidatos na segunda volta", atirou.
A presidente da Iniciativa Liberal (IL) Mariana Leitão, também não confirmou na noite de domingo se o partido vai apoiar alguém. "Tenho de seguir os procedimentos e ouvir a minha direção e os órgãos do partido", explicou.
Por sua vez, José Miguel Júdice, mandatário nacional de João Cotrim de Figueiredo, anunciou na CNN Portugal que votará no candidato apoiado pelo Partido Socialista.
"O meu mandato [como mandatário de Cotrim de Figueiredo] terminou. Vou votar com total determinação, sem qualquer preocupação, em Seguro", declarou, revelando que se Cotrim "não tivesse sido candidato, teria apoiado António José Seguro na primeira volta".
O líder da bancada da IL, Mário Amorim Lopes, também anunciou, em direto, na RTP, que vai votar Seguro na segunda volta das eleições presidenciais, justificando esta opção com a "ameaça ao Estado de direito" que o Chega representa.
Também da Direita chega o apoio a Seguro da parte de Francisco Rodrigues dos Santos, ex-líder do CDS-PP. "Não tenho dúvidas rigorosamente nenhumas de que lado estou. Estarei na segunda volta a apoiar António José Seguro", declarou, na CNN Portugal, no decorrer da noite eleitoral.
"Não pode haver contemplações, hesitações, quando está em causa um consenso matricial de valores fundacionais e civilizacionais do nosso continente e do nosso país e sobretudo porque se exige numa altura destas que todos os democratas não tenham as menores das contemplações. Sou centrista, democrata cristão, há pontos de entendimento com a social-democracia, seja mais à esquerda seja mais à direita", justificou o centrista que, na primeira volta, apoiou Henrique Gouveia e Melo.
Resumindo, no rescaldo da primeira volta das eleições presidenciais, António José Seguro parece reunir vários apoios - da Esquerda à Direita (que continua, em parte, indecisa). Já Ventura, que logo às primeiras projeções reclamava o título de líder da Direita em Portugal, parece não ter reunido, pelo menos para já, os apoios que pretendia, além do partido de que é líder, o Chega.
Resultados só depois de 8 de fevereiro, dia em que os portugueses são chamados novamente às urnas para eleger o próximo Presidente da República.
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