Seguro e Ventura rumam à 2.ª volta. Esquerda une-se, Direita apoia quem?
A primeira volta das eleições presidenciais decorreu no domingo, 18 de janeiro, sem que nenhum dos candidatos a Belém tenha conseguido maioria absoluta dos votos. Assim sendo, no próximo dia 8 de fevereiro os portugueses serão de novo chamados às urnas para escolher o próximo Presidente da República.
António José Seguro, apoiado pelo PS, e André Ventura, apoiado pelo Chega, vão disputar a segunda volta, depois de, na noite eleitoral, conseguirem 31,21% e 23,29% dos votos, respetivamente.
Em terceiro lugar ficou Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal (16,01%), à frente de Gouveia e Melo (12,41%) e de Marques Mendes, apoiado pelo PSD (11,34%).
A dispersão dos votos da Direita resultou, aliás, no pior resultado de sempre para um candidato apoiado pelo Governo em funções - com Luís Marques Mendes a assumir total responsabilidade pelo resultado negativo nas eleições. "A responsabilidade é minha, toda minha e apenas minha", assumiu Marques Mendes, que também decidiu não apoiar qualquer candidato na segunda volta.
Luís Marques Mendes foi mesmo o principal derrotado da noite, tendo em conta também que chegou a aparecer em primeiro lugar nas sondagens. Mas o ex-ministro social-democrata ficou em quinto, com 11,3% e pouco mais de 630 mil votos, embora na eleição presidencial mais disputada de sempre, com 11 candidatos.
Henrique Gouveia e Melo, o almirante na reserva que também chegou a ser apontado como o próximo Presidente da República quando surgiu na corrida, acabou por ficar em quarto lugar, com 12,3% e pouco menos de 700 mil votos. Gouveia e Melo assumiu que os resultados ficaram aquém dos seus objetivos, mas avisou que o país continuará a contar com a sua "participação cívica".
Também uma derrota pesada tiveram os partidos à esquerda do PS - Livre, PCP e BE - cujos candidatos Jorge Pinto, António Filipe e Catarina Martins não ultrapassaram uma votação residual, que toda somada andou nos 4%. Catarina Martins obteve 2%, António Filipe 1,6% e Jorge Pinto 0,6%, este último co menos votação do que o músico Manuel João Vieira (1,08%).
Seguramente há 2.ª volta... mas com desventuras: Direita não declara apoios
No rescaldo destes resultados, a Esquerda apresentou-se como uma frente unida no apoio a António José Seguro. Já Ventura, que logo às primeiras projeções reclamava o título de líder da Direita em Portugal, parece não ter reunido, para já, todos os apoios que pretendia.
"Eu vou agregar a Direita a partir de hoje", repetiu o candidato apoiado pelo Chega durante a noite eleitoral, afirmando mesmo ter vencido o "candidato do Governo.
Contudo, pouco depois, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, indicava que "o PSD não emitirá qualquer indicação de voto" na segunda volta das presidenciais e "não estará envolvido na campanha".
Já antes, o candidato apoiado pelo PSD esclareceu que não endossará apoio na segunda volta: "Não vou fazer o endosso dos votos que me foram hoje confiados. Tenho a minha opinião pessoal, mas enquanto candidato, que é a única posição que tenho aqui hoje, não sou dono dos votos que em mim foram depositados. Cada um dos que votaram em mim decidirá na altura própria de acordo com a sua liberdade e com a sua consciência", afirmou.
João Cotrim Figueiredo, ex-líder da Iniciativa Liberal, falhou o principal objetivo de disputar a segunda volta. Embora, no decurso da campanha, tenha chegado a admitir apoiar Ventura na segunda volta, no discurso de derrota Cotrim referiu que não tenciona endossar ou recomendar o voto em qualquer dos candidatos.
Já à Esquerda, nos seus discursos finais, tanto Jorge Pinto e António Filipe, como Catarina Martins, declararam apoio a Seguro na segunda volta. O mesmo fez o PAN que, num comunicado enviado ao final da noite às redações, explicou que a sua Comissão Política Nacional "deliberou apoiar a candidatura de António José Seguro na segunda volta", uma vez que considera que este candidato representa, neste novo contexto, "uma solução de equilíbrio, moderação e estabilidade, com sentido de Estado e compromisso com os valores democráticos".
Independentemente dos partidos, muitas figuras deverão assumir opções para a segunda volta, como aconteceu com o ex-ministro social-democrata Miguel Poiares Maduro, na RTP, e José Pacheco Pereira, na TVI, ambos manifestando o apoio a António José Seguro.
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