"Se Gouveia e Melo quer ser candidato do PS tem de o assumir"
"Eu não represento o Partido Socialista, eu não represento o Partido Comunista, eu não represento o Bloco de Esquerda, não represento e não vou representar. Nós queremos um corte com esse passado, queremos um corte com o que nos levou à miséria ou queremos um corte com o António Costa. Se Gouveia e Melo quer ser o candidato do António Costa e do PS, tem que assumir isso", atirou André Ventura, em declarações aos jornalistas na freguesia de Agualva-Cacém, concelho de Sintra.
O candidato a Belém, que falava aos jornalistas à margem de uma ação de pré-campanha para as presidenciais de janeiro, comentava o facto de, no frente a frente televisivo entre António José Seguro (candidato apoiado pelo PS) e Henrique Gouveia e Melo, o almirante na reserva ter afirmado que representa "outro campo político também, que é o do PS", classificando depois o seu oponente como representante de "uma fação do PS".
"Nem consegue fazer o pleno do PS. E daí a sua preocupação com esses ataques que me está a fazer", respondeu o almirante.
Na ótica de André Ventura, Gouveia e Melo não pode "fingir que quer autoridade, ordem e segurança", mas querer representar um partido que "permitiu a bandalheira na imigração, permitiu que tudo andasse a viver de subsídios e permitiu que o país ficasse assim".
"Eu hoje tenho a certeza que fiz bem em avançar porque senão de facto 20% ou 25% do país não sabia que decisão tomar no dia 18", argumentou.
O presidente do Chega afirmou que "há uns meses" estava mais atrás nas sondagens "porque os próprios apoiantes, a própria população, os militantes do Chega", como ele próprio, "tinham dúvidas".
"Passado um mês, um mês, um mês e meio, estamos em primeiro lugar nas principais sondagens que saem: este é o sinal que tínhamos razão na decisão que tomámos. Era o sinal que fizemos bem em avançar e que o país precisa mesmo de um abanão", sustentou.
Ventura adiantou ainda que irá suspender o seu mandato na Assembleia da República durante a campanha eleitoral.
Num percurso na Avenida dos Bons Amigos, no Cacém, durante o qual contactou com vários comerciantes, André Ventura foi bastante bem recebido por quem passava, ouvindo vários incentivos à sua candidatura, inclusive de pessoas que paravam os carros ou apitavam para o cumprimentar.
Também se registaram alguns descontentes, ainda que em menor número, ouvindo-se por vezes gritos de "Fascista" ou "Hitler". O percurso foi acompanhado à distância, do lado oposto da rua, por três agentes da PSP.
André Ventura quis ainda comentar o facto de hoje o jornal Público ter noticiado que Miguel Cardoso, diretor e coordenador nacional da organização "Black Europeans", apresentou queixa às autoridades belgas alegando ter sido alvo de insultos racistas, comportamentos intimidatórios e ameaças por parte de "quase duas dezenas de deputados, assessores e pessoas ligadas à estrutura do Chega", incluindo do líder parlamentar, Pedro Pinto, durante um voo entre Lisboa e Bruxelas, no âmbito de uma viagem de trabalho à Comissão Europeia.
Ventura afirmou que "qualquer pessoa pode apresentar queixa", mas contrapôs que existe um vídeo no qual Miguel Cardoso está a "ameaçar os deputados do Chega dentro do avião" ao ponto de "o comandante dizer que chamou a polícia".
Na notícia do Público, Miguel Cardoso -- que já apresentou queixas no passado contra o partido liderado por André Ventura - acusa o Chega de ter editado este vídeo de modo a fazê-lo o agressor.
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