"Se a ministra da Saúde está a falhar, o primeiro-ministro também está"
O almirante Henrique Gouveia e Melo juntou-se ao coro de críticas contra a ação – ou falta dela – do Governo na Saúde, tendo considerado que, "se a ministra da Saúde está a falhar, o primeiro-ministro também está a falhar".
"A ministra da Saúde depende hierarquicamente do primeiro-ministro. Se a ministra da Saúde está a falhar, o primeiro-ministro também está a falhar. Quem é que escolheu a ministra da Saúde? O primeiro-ministro. Se há uma determinada área que tem uma falha persistente e contínua no tempo, não dando resposta aos portugueses, a culpa não é do responsável dessa área, a culpa é do primeiro-ministro", apontou, em entrevista à Antena 1.
O candidato à Presidência da República foi mais longe, recordando que Luís Montenegro, enquanto chefe do Governo, "tem o poder de mudar" a linha orientadora daquela área.
"Se não muda, é porque acha que aquilo está a correr bem", atirou, apontando que "parece que andamos a demitir porque é mais fácil o fusível de baixo partir do que o fusível de cima".
Gouveia e Melo assumiu ainda que a falta de estratégia "não é de agora", tecendo também críticas ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, por falar, "de forma cândida, sobre um problema que se arrasta há anos".
"Não só tiveram culpa os governos anteriores, como este Governo. Este Governo já está há tempo suficiente nas duas legislaturas que fez para fazer qualquer coisa", disse.
E concretizou: "Haver meios há, [mas também há] desorganização, há falta de objetivos, há falta de comando e controlo para ver se esses objetivos foram cumpridos. Mas isso não é só na Saúde, o Estado está a falhar em muitas áreas. Não basta fazer leis bonitas, não basta dizer nos media que vamos fazer isto. O poder Executivo tem de dar resposta aos portugueses. Os portugueses têm de sentir que o Governo não está só a legislar para as televisões."
"O que é isso de Portugal mais Portugal? É andar enrolado numa bandeira?"
Já no que diz respeito à revisão da Lei da Nacionalidade, medida que, na ótica do ministro da Presidência, António Leitão Amaro, torna "Portugal mais Portugal", o almirante não poupou críticas.
"O que é isso de Portugal mais Portugal? É andar enrolado numa bandeira? Não gosto de dar lições a ninguém, mas não aceito lições de patriotismo. [...] Portugal fica mais Portugal quando estivermos mais prósperos, com uma sociedade mais coesa, quando os serviços públicos não falharem, quando houver confiança nos tribunais, quando as grávidas não tiverem de parir na rua ou nas ambulâncias. Esse é que é Portugal mais Portugal", lançou.
E continuou: "O que é isso de Portugal mais Portugal? É Portugal de uma população que está a envelhecer e que, se não fizermos nada, daqui a 40 anos, em vez de 10 milhões somos seis milhões? É um Portugal mais forte, com menos pessoas? Que raio de Portugal é esse?"
O almirante confessou, assim, ser "a favor de uma lei da nacionalidade que regule a entrada, para lá do que é normal e excessiva, de imigrantes que venham perturbar a nossa sociedade de tal forma que até vão fomentar radicalismos políticos". Isto porque, a seu ver, esteve em falta "uma política de integração" nas regras de imigração até então adotadas.
"Basicamente abrimos as portas. [...] Desejamos uma imigração de elevado valor acrescentado, em termos de conhecimento tecnológico, etc., só que a nossa economia ainda não paga o suficiente", lamentou.
O candidato a Belém disse ainda que não é desejável haver "comunidades desintegradas a criar microsociedades, que vivem no nosso seio, mas que têm regras próprias", ao mesmo tempo que ressalvou que "a religião não é motivo para segregar ninguém, porque estamos num Estado laico".
"Agora, se essa religião trouxer extremismos, isso não é bom para o Estado português", alertou.
Gouveia e Melo recordou também nunca se ter manifestado "contra ou a favor" da aprovação do projeto de lei do partido Chega quanto à proibição do uso de burca em espaços públicos, tendo, ao invés, argumentado que "não era o momento para estar a discutir um assunto daqueles, quando há outros assuntos importantes".
"Não quero estar a contribuir para um distrator que serve à política da extrema-direita para fazer uma bandeira, mas também serve a outras áreas políticas para se distraírem dos assuntos que os estão a queimar neste momento", disse, assumindo que o Governo está a ir atrás do Chega para desviar atenções.
[Notícia em atualização]
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