Sánchez pede "espírito de acordo" após rutura de partido de Puigdemont
Numa intervenção no plenário do parlamento espanhol, Sánchez considerou que há um "colapso político intelectual" da direita tradicional em Espanha e na Europa, que está "rendida à extrema-direita" e sem projeto próprio, e apelou ao "espírito de acordo" dos restantes grupos parlamentares.
O primeiro-ministro lembrou que governa Espanha desde 2018 "sempre em coligação e em minoria parlamentar", mas "conseguiu aprovar reformas que melhoraram a vida das pessoas", como provam os bons números da economia e do emprego, "com uma clara vocação de acordo e não de imposição" e "horas, horas e horas de negociação".
Nestes sete anos, o Governo teve uma "oposição destruidora", que votou contra leis sociais relacionadas com o emprego ou as pensões, sublinhou, insistindo na "rendição à extrema-direita" do Partido Popular (PP, direita), que está a negociar com o Vox (extrema-direita) a viabilização de um novo executivo regional em Valência, após a demissão na semana passada do presidente autonómico, Carlos Mazón, na sequência das inundações de 2024 em que morreram 229 pessoas.
A este propósito, o líder do Governo e do Partido Socialista espanhol (PSOE) apelou a eleições em Valência (o que dependerá do parlamento regional) e falou na "gestão negligente" de Mazón fez nas inundações.
Sobre o Governo nacional, e apesar da rutura do partido de Puigdemont, Sánchez reiterou que as próximas eleições serão em 2027, no final da legislatura.
O partido independentista catalão Juntos pela Catalunha (JxCat) rompeu em 30 de outubro com os acordos que assinou com o PSOE em 2023, que levaram à recondução de Pedro Sánchez como primeiro-ministro de Espanha.
O JxCat, liderado por Carles Puigdemont, o ex-presidente do governo da região autónoma espanhola que protagonizou uma tentativa de autodeterminação da Catalunha em 2017, argumentou que o PSOE e o executivo de Sánchez não cumpriram os acordos.
O entendimento a que os dois partidos chegaram em novembro de 2023 previa uma amnistia para independentistas - como o próprio Puigdemont, que vive desde 2017 na Bélgica para escapar à justiça espanhola - o reconhecimento do catalão como língua oficial nas instituições europeias ou a transferência de competências na área da imigração para o executivo.
A questão do catalão e das competências na imigração continuam por concretizar, apesar das tentativas nesse sentido do Governo espanhol, que porém as viu travadas nas instituições europeias e no parlamento nacional.
Quanto à amnistia, a lei foi aprovada, está em vigor, vários dirigentes catalães já foram amnistiados e o Tribunal Constitucional já lhe deu aval, mas os juízes do Tribunal Supremo de Espanha continuam a recusá-la a Puigdemont, numa batalha legal cujo desfecho está ainda em aberto e que não esgotou todas as instâncias.
A rutura com o PSOE traduz-se no fim de reuniões periódicas com um observador internacional que os dois partidos tinham na Suíça desde 2023 e no fim de negociações privilegiadas no parlamento espanhol com vista a aprovação de medidas do Governo, disse o JxCat, que tem sete deputados.
A queda do Governo de Sánchez por causa desta decisão do JxCat obrigaria porém o partido catalão a aliar-se ao PP e ao Vox numa moção de censura ao executivo, algo que os independentistas dizem estar fora de questão.
"O Governo espanhol não poderá recorrer à maioria da investidura [uma geringonça de oito partidos], não terá orçamentos, não terá capacidade para governar", disse Puigdemont.
Apesar da maioria que reuniu no parlamento para a reeleição como primeiro-ministro em 2023, Pedro Sánchez ainda não conseguiu aprovar qualquer orçamento do Estado nesta legislatura, por não ter conseguido o apoio de todos os partidos necessários.
Leia Também: Partido de independentista catalão Puigdemont rompe acordos com PSOE
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