Rutte reúne-se com Trump para discutir apoio a Kyiv (e esforços de paz)

Outubro 21, 2025 - 23:00
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Rutte reúne-se com Trump para discutir apoio a Kyiv (e esforços de paz)

Um responsável da NATO disse à AFP que os dois líderes vão abordar na capital norte-americana "várias questões relacionadas com o apoio da NATO à Ucrânia e os esforços liderados pelos Estados Unidos em prol de uma paz duradoura".

 

A visita de Rutte a Washington termina já na quarta-feira.

O líder da Aliança Atlântica cultiva há muito a sua relação com Donald Trump, com o objetivo de ganhar influência em questões críticas, como a guerra na Ucrânia.

Segundo as agências internacionais, a decisão foi tomada na sequência de um telefonema, na segunda-feira, entre o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, sobre o conflito na Ucrânia. 

O Kremlin sublinhando hoje que "não foi definido um prazo específico" para a cimeira entre Putin e Trump, que o Presidente norte-americano chegou a dizer na semana passada que aconteceria no prazo de duas semanas.

A ida de Rutte a Washington acontece no mesmo dia em que foi adiado 'sine die' uma cimeira entre Trump e o Presidente russo, Vladimir Putin, sobre o conflito na Ucrânia.

Também hoje, a agência Bloomberg avançou que países europeus e a Ucrânia estão a preparar uma proposta para acabar com a guerra causada pela Rússia nas atuais linhas de batalha, contrariando exigências de território feitas por Moscovo.

Segundo fontes próximas do processo, citadas pela agência, Donald Trump ficaria a presidir a um conselho da paz, responsável por supervisionar a aplicação do plano proposto, com 12 pontos.

Uma vez que a Rússia concordasse com um cessar-fogo e ambos os lados se comprometessem a interromper os avanços territoriais, as propostas preveem o regresso de todas as crianças deportadas à Ucrânia e a troca de prisioneiros.

Por seu lado, a Ucrânia receberia garantias de segurança, fundos para reparar os danos da guerra e um caminho para aderir rapidamente à União Europeia.

As sanções contra a Rússia seriam gradualmente suspensas, embora cerca de 300 mil milhões norte-americanos (quase 260 mil milhões de euros) em reservas congeladas do banco central russo só fossem devolvidos depois de Moscovo concordar em contribuir para a reconstrução pós-guerra da Ucrânia.

As restrições seriam restabelecidas se a Rússia atacasse novamente o país vizinho.

Moscovo e Kyiv entrariam em negociações sobre a governação dos territórios ocupados, embora nem a Europa nem a Ucrânia reconheçam legalmente qualquer território ocupado como russo, indicaram as mesmas fontes.

Até agora, a Rússia rejeitou os apelos para pôr fim aos combates ao longo das linhas existentes, apesar de ter sofrido baixas massivas na guerra, iniciada com a invasão russa em fevereiro de 2022.

Os detalhes do plano estão a ser finalizados e ainda podem mudar, alertaram as mesmas fontes, que pediram para não serem identificadas.

Qualquer proposta também precisaria da aprovação de Washington e as autoridades europeias podem viajar para os Estados Unidos esta semana, indicaram ainda.

A proposta ecoa os apelos feitos por Trump na semana passada para congelar imediatamente o conflito ao longo das linhas atuais antes de iniciar as negociações.

No mesmo sentido, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, chefes de Estados aliados de Kyiv e líderes das instituições europeias defenderam hoje que "a linha da frente deve ser o ponto de partida para negociações".

"Apoiamos veementemente a posição do Presidente [norte-americano, Donald] Trump de que os combates devem cessar imediatamente e que a atual linha da frente deve ser o ponto de partida para as negociações. Continuamos comprometidos com o princípio de que as fronteiras internacionais não devem ser alteradas pela força", salientaram os membros da chamada Coligação dos Dispostos, numa posição hoje divulgada.

"Estamos convictos de que a Ucrânia deve estar na posição mais forte possível - antes, durante e após qualquer cessar-fogo", adiantaram na declaração conjunta os presidentes do Conselho Europeu, António Costa, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, bem como Volodymyr Zelensky.

Chefes de Estado ou de Governo da Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Polónia, Espanha, Dinamarca, Noruega e Finlândia também subscreveram a posição. 

Após o regresso à Casa Branca, no início deste ano, Donald Trump deu passos diplomáticos para tentar mediar um cessar-fogo imediato e procurar garantias de segurança para a Ucrânia.

Mais recentemente, o Presidente norte-americano propôs que as partes "parassem onde estão" no terreno e considerou que a Ucrânia poderia ter de fazer concessões territoriais, especialmente na região do Donbass -- que Putin anexou em setembro de 2022.

A proposta provocou preocupação em Kyiv e nos países europeus, que sublinharam que qualquer acordo tem de respeitar a soberania da Ucrânia e não pode recompensar a invasão pela força.

A Rússia rejeita algumas das ideias propostas (como a linha de contacto fixa) e mantém exigências sobre a rendição da Ucrânia em certas regiões.

Leia Também: Trump quer paz em troca do Donbass. Zelensky e Europa discordam

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