RSF lançam primeira edição da monitorização de desinformação e propaganda
"O Monitor de Propaganda é uma iniciativa proposta pela RSF para informar e agir contra mecanismos de propaganda e desinformação com a contribuição de especialistas internacionais", procurando sensibilizar o público para questões de manipulação jornalística para fins ideológicos.
Neste sentido, a primeira edição foca-se nas estratégias desinformativas do Kremlin na Rússia, quando a "propaganda estatal se estabeleceu como um instrumento central da política interna e externa".
"Para impor a sua narrativa única, o Kremlin implementou um ecossistema de propaganda diversificado, combinando meios públicos, retransmissores 'online', influenciadores e estruturas paralelas", explicam os RSF.
Segundo a organização, o regime de Vladimir Putin assumiu o controlo de um cenário mediático, com o objetivo de estigmatizar os meios de comunicação social e os jornalistas, até mesmo impedir que desempenhem a sua função de informar.
"Este bloqueio dos media está associado a um ataque direto aos jornalistas: 48 ainda estão presos, incluindo 26 ucranianos", lê-se na informação disponibilizada.
A amplificação da desinformação é uma fase crucial da estratégia russa, colocando ao seu dispor ferramentas de Inteligência Artificial (IA), bem como a criação de escolas de jornalismo centradas nos ideais do país.
"Media estatal, influenciadores militares, influenciadores contratados, os atores são numerosos e variados na transmissão do discurso flexível e transnacional do Kremlin, que se adapta de acordo com o público-alvo", explica a organização.
Em agosto, o chefe do departamento de tecnologia e jornalismo dos RSF, Vicente Berthier, considerou à Lusa que "a desinformação é cada vez mais utilizada como técnica no âmbito de tensões geopolíticas", salientando "a importância crescente da opinião pública e das redes sociais na difusão de ideias e na formação de opiniões".
A desinformação "é uma questão global e um dos principais riscos de curto prazo para as sociedades", numa altura em que a IA generativa "está gradualmente a encontrar o seu lugar entre as ferramentas de desinformação".
Os RSF defendem, assim, um compromisso renovado com o jornalismo, garantindo ao mesmo tempo que a sua independência não seja comprometida, para que as democracias possam vencer esta batalha pelo direito dos cidadãos a informações confiáveis.
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