Reunião do Conselho de Paz "passo importante" para paz em Gaza, diz ONU

Fevereiro 18, 2026 - 23:00
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Reunião do Conselho de Paz "passo importante" para paz em Gaza, diz ONU

Numa reunião de nível ministerial do Conselho de Segurança da ONU, em Nova Iorque, na véspera do encontro do Conselho de Paz, em Washington, a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz apelou a esforços coletivos para consolidar o cessar-fogo em Gaza e aliviar o sofrimento da população palestiniana.

 

"Este é um momento crucial no Médio Oriente. Após anos de conflito devastador e de imenso sofrimento humano, existe uma abertura que poderá permitir à região seguir uma direção diferente. Mas esta abertura não é garantida nem indefinida", afirmou Rosemary DiCarlo.

As decisões tomadas nas próximas semanas vão determinar se essa mesma abertura será sustentada, avisou DiCarlo.

"Precisamos de progressos concretos no sentido da estabilização e da recuperação, em consonância com o direito internacional, para lançar as bases de uma paz duradoura. A reunião do Conselho de Paz em Washington, amanhã [quinta-feira], é um passo importante", sublinhou.

O Conselho de Paz, organismo composto por líderes mundiais e criado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, arranca com a promessa de reconstruir a Faixa de Gaza.

A ONU não terá representação na primeira reunião do Conselho de Paz de Trump para Gaza, confirmou o porta-voz da organização, embora salientando que o coordenador de ajuda humanitária das Nações Unidas, Tom Fletcher, foi convidado.

"Tom Fletcher tinha sido convidado a participar. Infelizmente, devido a uma agenda extensa e a uma viagem (...) ao Sudão do Sul, não poderá ir. No entanto, estamos a fornecer informações para as discussões sobre o trabalho humanitário que temos vindo a realizar desde o cessar-fogo" em Gaza, disse Stéphane Dujarric.

A reunião de quinta-feira contará com a participação de governantes de mais de 30 países, como Israel, Argentina, Arábia Saudita e Egito.

Dujarric lembrou que o trabalho do Conselho de Paz para Gaza foi votado e aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU, pelo que as Nações Unidas e o organismo continuam em contacto.

Presidido de forma vitalícia por Trump, o organismo foi inicialmente apresentado como uma das peças-chave para supervisionar o plano de paz para a Faixa de Gaza, mas o tratado fundador da estrutura acabou por revelar um mandato muito mais vasto, ao propor-se a resolver conflitos armados em todo o mundo e ambicionando tornar-se uma organização alternativa às Nações Unidas.

Rosemary DiCarlo defendeu a necessidade da implementação da segunda fase do cessar-fogo em Gaza e de se avançar nos esforços para uma solução negociada de dois Estados.

A representante da ONU admitiu que foram alcançados "progressos encorajadores" desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em outubro passado. No entanto, lamentou que a maioria da população de Gaza continue deslocada e a suportar condições de vida extremamente difíceis.

"Apesar do cessar-fogo, Gaza ainda não está em paz. Nas últimas semanas, os militares israelitas intensificaram os ataques em Gaza, atingindo zonas densamente povoadas e matando dezenas de palestinianos, incluindo muitas crianças e mulheres", observou.

Também na Cisjordânia ocupada, a situação está a deteriorar-se rapidamente, disse, referindo o uso de força e incursões israelitas generalizadas.

"Estamos a assistir à gradual anexação de facto da Cisjordânia, à medida que as medidas unilaterais de Israel transformam constantemente a realidade no terreno", condenou DiCarlo.

"Neste momento frágil para a região, não nos podemos dar ao luxo de adotar medidas tímidas. O Plano Abrangente liderado pelos EUA deve ser implementado na íntegra, juntamente com ações urgentes para reduzir a escalada e inverter a perigosa trajetória na Cisjordânia ocupada", insistiu a subsecretária-geral.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros de Reino Unido, Israel, Jordânia, Egito e Indonésia, entre outros, estão presentes na reunião do Conselho de Segurança da ONU. 

Alguns minutos antes do início da sessão, o chefe da diplomacia israelita, Gideon Sa'ar, leu uma declaração à imprensa na qual acusou a ONU de estar "contaminada por uma obsessão anti-Israel".

"Todos neste edifício deviam perguntar-se: porque é que todos estão a tratar a cimeira de amanhã [quinta-feira] como muito mais importante do que a reunião que acontecerá daqui a 15 minutos? O que diz isso sobre a posição da ONU hoje? Porque é que a ONU se tornou irrelevante para a resolução de conflitos no mundo? (...) Apelo à ONU para que acorde antes que perca o que lhe resta de importância, influência e estatuto", afirmou.

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