Reembolsar o Estado? "Um governo decente mandaria a fatura ao genocida"

Outubro 8, 2025 - 10:00
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Reembolsar o Estado? "Um governo decente mandaria a fatura ao genocida"

Mariana Mortágua reagiu na sua conta na rede social X [antigo Twitter] à notícia de que terá de pagar ao Estado o valor da viagem de repatriamento de Israel para Portugal.

 

"O governo decidiu imputar o custo a quem levava ajuda humanitária contra o genocídio. Um governo decente mandaria a fatura ao genocida", começa por criticar a deputada do Bloco de Esquerda.

Recorde-se que o Ministério dos Negócios Estrangeiros esclareceu, esta terça-feira, que os serviços consulares enviaram um ofício com o valor integral do custo da viagem que é "encargo da responsabilidade dos cidadãos que integram a flotilha".

Significa isto que os quatro ativistas da flotilha humanitária que rumou até Gaza no último mês vão ter de reembolsar o Estado português pela viagem de Israel, onde estavam detidos, dado que o valor foi adiantado pelo Governo português.

"Pagarei o bilhete, comprando a prova de que há ministros sem espinha", garante Mariana Mortágua, não antes sem recordar que "o destino era Gaza. Não era Israel, para onde fomos levados ilegalmente" e de lamentar o facto de o governo ter imputado "o custo a quem levava ajuda humanitária contra o genocídio". 

Ativistas regressaram a casa no domingo

Em causa está o regresso dos quatro ativistas portugueses que chegaram, no domingo, a Portugal, depois de estarem detidos durante dias numa prisão em Israel. O grupo foi capturado, juntamente com outros ativistas, pelas forças israelitas.

De acordo com o que explicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros ao Notícias ao Minuto, o valor para o regresso foi adiantado pelo Estado português por "razões logísticas e de ordem prática", nomeadamente, pela "impossibilidade de comunicação prévia com estes cidadãos nacionais.

"A acompanhar o ofício seguiu também o formulário do pedido de reembolso do custo da viagem que cabe a cada um, nos termos do regulamento consular", é explicado.

Missão intercetada

Os ativistas que pretendiam fazer chegar ajuda humanitária a Gaza foram detidos na passada quinta-feira, quando as forças israelitas intercetaram as cerca de 50 embarcações da Flotilha Global Sumud, que pretendia entregar ajuda humanitária na Faixa de Gaza.

Mariana Mortágua, a atriz Sofia Aparício e ainda Miguel Duarte e Diogo Chaves chegaram no domingo a Lisboa onde foram recebidos por uma multidão que os aplaudiu e entoou gritos de apoio à Palestina. 

Vários manifestantes empunharam bandeiras, lenços da Palestina e cartazes com palavras de ordem como "Libertem a Palestina" e "Obrigado Mariana, Sofia, Diogo e Miguel por nos representarem".

Recorde-se que à chegada, os quatro manifestantes denunciaram ter sido alvo de maus-tratos. 

Relatos, porém, desmentidos ao Notícias ao Minuto pela Embaixada de Israel em Portugal. “As alegações relativas aos maus-tratos infligidos aos detidos da frota Hamas-Sumud são mentiras descaradas”, garantiu Yonatan Gonen, chefe de Missão desta Embaixada.

A Flotilha Global Sumud saiu de Barcelona, no norte de Espanha, em 31 de agosto, e pretendia chegar com ajuda humanitária ao território palestiniano da Faixa de Gaza, mas foi intercetada, na quarta e na quinta-feira da semana passada em águas internacionais por militares israelitas, que detiveram cerca de 470 pessoas que seguiam nos barcos.

Leia Também: Mortágua agradece à diplomacia portuguesa o "apoio" que teve em Israel

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