"Quero dar-lhe flores". Há um ano que René procura quem o salvou da DANA
Há um ano, quando chuvas fortes afetaram a localidade de Valência, em Espanha, René, estava a conduzir. O homem, de nacionalidade holandesa, ficou preso dentro do carro, tendo uma mulher ido em seu socorro para o salvar.
Volvido precisamente um ano, o homem continua em busca da mulher que o salvou e a quem queria agradecer pela sua amabilidade naquele dia que poderia ter sido fatídico.
"Uma mulher loira, de blusa verde". Isto é tudo o que René se recorda sobre a aparência da mulher que o salvou.
Segundo conta René, este regressava a casa depois de um almoço com amigos quando ficou parado no trânsito, em Alfafar, Valência. Este não estranhou, porque na estrada que atravessava era comum haver engarrafamentos. A sua preocupação mudou quando percebeu que tinha a água a chegar-lhe aos joelhos dentro do carro. Foi aí que a mulher se aproximou, ajudando- o a sair.
"Muita gente queria ficar dentro do carro, mas par mim era claro que tinha de sair. Contudo, não conseguia abrir a porta do meu Nissan Micra e pela janela não conseguia sair devidos aos meus problemas de mobilidade", recorda.
"Ela tirou-me pela janela e levou-me para um sítio para evitar a água. Formámos uma corrente humana e começámos a caminhar em direção a Valência, porque pensávamos que a água vinha do outro lado. Não tínhamos recebido nenhum aviso nem tínhamos informações sobre o que estava a acontecer, então isso pareceu o mais sensato a fazer. Até que veio o tsunami", recorda, referindo-se ao momento que ele e outros foram arrastados pela força da água, já misturada com lama.
René acabou por ser salvo quando um militar da Guardia Civil o pegou por um braço. Salvou-se mas desde então não esquece o que viveu e aqueles que o ajudaram.
"Gostaria de voltar a agradecer-lhe, de dar-lhe um ramo de flores e convidá-la a conhecer a minha família", partilha o homem ao El Confidencial, naquela que é a sua primeira entrevista depois da tragédia. Segundo o próprio, "não gosta de falar por respeito aos que não está cá hoje para contar a sua história".
A tragédia
Em 29 de outubro de 2024, uma "gota fria" ou DANA, como é conhecida em Espanha uma "depressão isolada em altos níveis", formou-se no sul da Península Ibérica e gerou chuvas de grande intensidade e concentradas, sobretudo, no interior da região de Valência, onde foram medidos níveis de queda de água em 24 horas com valores dos mais elevados desde que há registo na Europa.
A água, em grandes quantidades, acabou por descer em direção à costa mediterrânica por barrancos e ribanceiras e invadiu, no final da tarde, estradas e ruas de vários subúrbios da cidade de Valência, uma das zonas com maior densidade populacional de Espanha.
Morreram nas inundações e no temporal 229 pessoas na região autónoma da Comunidade Valenciana, sete numa zona vizinha da região de Castela La Mancha e uma na Andaluzia (sul de Espanha), segundo dados oficiais.
Em Valência, a região no epicentro da tragédia, o temporal afetou uma área de cerca de 553 quilómetros quadrados de 75 municípios e 306 mil pessoas.
Segundo o governo autonómico, as cheias causaram danos de pelo menos 17.800 milhões de euros em habitações, infraestruturas de abastecimento e transporte, parques naturais e zonas protegidas, escolas, centros de saúde, equipamentos sociais e culturais ou 64.100 empresas, entre outros setores.
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