Quénia investiga alegado caso de tortura a menor sob custódia policial
O jovem alega que foi espancado, acorrentado e atingido com ácido numa perna e encontrava-se na quinta-feira internado num hospital em estado grave.
"A Autoridade Independente de Supervisão Policial (IPOA, na sigla em inglês) iniciou uma investigação sobre um alegado caso de agressão policial contra o menor Felix Senet Takona que, segundo informações, foi detido por um delito menor na esquadra de Narosusura, no condado de Narok, no sul do país", indicou a IPOA em comunicado.
"Em conformidade com o seu mandato de garantir a responsabilização e o respeito pelos direitos humanos na atuação policial, a IPOA está a investigar as circunstâncias que envolvem a alegada detenção e as lesões subsequentes do menor", acrescentou o órgão.
O caso ficou conhecido depois de a imprensa local ter noticiado na quinta-feira que o jovem se encontrava internado em estado grave no Hospital de referência do condado de Narok, após ter sido detido em 10 de outubro num centro comercial local, tendo sido acusado de roubar peças de trator.
O jovem foi condenado a dois anos de prisão na terça-feira, depois de se ter declarado culpado de ter assaltado um estabelecimento em 08 de outubro, roubado 10 litros de óleo e 34 mil xelins quenianos (cerca de 227 euros) em dinheiro.
As autoridades prisionais recusaram recebê-lo devido ao seu estado de saúde e encaminharam-no para o hospital.
O adolescente denunciou, a partir da cama do hospital, onde estava acorrentado, as alegadas torturas que sofreu e afirmou que foi agredido com correntes de metal e ácido e que os agentes policiais não permitiram visitas da família.
"Batiam-me todas as noites. Disseram-me que, se não aceitasse as acusações, matavam-me", relatou o jovem, que pode vir a sofrer amputações devido a graves infeções nas pernas, de acordo com os médicos.
A polícia alega que o menor ficou ferido após um ataque de uma multidão que decidiu fazer justiça pelas próprias mãos, tendo sido resgatado e levado sob custódia. O adolescente e a família negaram a versão dos agentes policiais.
A delegação da Amnistia Internacional no Quénia classificou os factos como "uma grave violação da Constituição" e das leis de proteção da infância do país, bem como das normas internacionais.
"Exigimos uma investigação independente imediata, o julgamento justo e o processamento de todos os agentes envolvidos, bem como proteção para a vítima e a sua família", afirmou a organização numa mensagem que publicou na rede social X.
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