Pulseira desaparecida de faraó foi, afinal, derretida (e ouro vendido)

Setembro 22, 2025 - 01:00
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Pulseira desaparecida de faraó foi, afinal, derretida (e ouro vendido)

A pulseira com mais de três mil anos que pertenceu a um faraó e que foi roubada de um laboratório do Museu Egípcio, no Cairo, foi derretida e vendida para fazer outras joias.

 

O mistério instalou-se a semana passada, quando o Ministério do Turismo e Antiguidades anunciou o desaparecimento do objeto, que estaria a ser preparado para 'voar' para Roma, em Itália, onde faria parte de uma exposição temporária.

A tutela não quis anunciar logo o desaparecimento, alertando, no entanto, as autoridades e todos os responsáveis  fronteiriços. Mas sabe-se agora que o objeto, que pertenceu ao faraó Amenemope, passou por várias pessoas até ser derretido para ser transformado em ouro para, depois, serem criadas outras joias. A pulseira milenar foi assim 'reduzida' e o material vendido por cerca de 3.500 euros.

Segundo explanou o ministério, os criminosos confessaram o crime e o dinheiro foi apreendido. O roubo aconteceu no laboratório do museu em questão mas, de acordo com o que foi explicado, o local não tem câmaras de vigilância, o que a tutela considerou ser uma "falha".

O crime foi, no entanto, 'captado' pela câmara de vigilância do local onde os suspeitos venderam a pulseira, mostrando as imagens, segundo a Associated Press (AP), os suspeitos a venderem o objeto, este a ser pesado e a troca pelo dinheiro acontecer.

Para além das críticas à segurança deixadas pelo ministério responsável pelos museus, a comunidade de arqueólogos também alertou que era preciso implementar medidas. Citada pela AP, a arqueóloga egípcia Monica Hanna defendeu que se deveriam suspender exposições fora do país "até que haja um controlo mais rigoroso" nos museus, por forma a proteger os artefatos.

Monica Hanna é reitora da Academia Árabe de Ciência, Tecnologia e Transporte Marítimo e faz campanha pela devolução de artefatos egípcios expostos em museus que estão noutros países, de acordo com o que aponta a agência de notícias.

Já Malek Adly, um advogado de direitos humanos, considerou que este roubo era "um sinal de alerta" para o governo, defendendo ainda que era preciso uma maior segurança para todas as antiguidades que estão em exposição e aquelas que estão 'guardadas'.

O faraó a quem pertenceu o objeto governou o Egito a partir de Tânis, no Delta do Nilo, durante a 21.ª Dinastia egípcia. A necrópole real de Tânis foi descoberta pelo arqueólogo francês Pierre Montet em 1940, segundo o Museu Egípcio.

O acervo da necrópole exibe, de acordo com a AP, cerca de 2.500 artefatos antigos, incluindo máscaras funerárias de ouro, caixões de prata e joias de ouro. Restaurado em 2021, o acervo está em constantes exposições e cooperações com o Museu do Louvre, em Paris.

É ainda lembrando pela AP que este roubo não é o primeiro no 'saco' das perdas culturais, já que o Egito registou também o desaparecimento do quadro 'Flores de Papoila', de Vincent van Gogh, avaliado em cerca de 43 milhões de euros, de um outro museu no Cairo. A obra de arte foi roubada em 2010 e o paradeiro é desconhecido. Antes deste roubo, o mesmo quadro já tinha sido roubado em 1977, tendo sido recuperado dez anos depois.

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