"Primeiro-ministro decidiu ser uma espécie de mentor de autoajuda"
A socialista Inês Medeiros, presidente da Câmara Municipal de Almada, criticou o primeiro-ministro na sequência da sua mensagem de Natal ao país, dizendo que Luís Montenegro "decidiu ser uma espécie de mentor de auto-ajuda, com discursos motivacionais" e que não foi para isso que "foi eleito".
"Em primeiro lugar, uma questão de atitude. O senhor primeiro-ministro decidiu ser uma espécie de mentor de autoajuda com discursos motivacionais. Não foi para isso que foi eleito. Foi eleito para decidir, governar e criar estratégias a curto, médio e longo prazo para resolver os problemas que afetam os portugueses e acalmar aquelas que são as nossas angústias coletivas", começou por dizer, em declarações aos jornalistas, na sede do Partido Socialista (PS).
E acrescentou: "Não basta proclamar grandes chavões de motivação, importa saber criar riqueza, saber decidir e importa ser claro naquilo que se pretende para esta família portuguesa que é o nosso país".
Na ótica da socialista, falta a "capacidade reformista" que Luís Montenegro "apregoa" e "não se revelam de facto as intenções".
"Veja-se, por exemplo, o caso da saúde que ficou estranhamente ausente deste discurso", disse, ressalvando que o primeiro-ministro prometeu uma reforma de 60 dias para a saúde e até agora se continua "sem saber qual a estratégia, qual a visão".
Ressalvou ainda que se continua "sem saber" qual "a estratégia para o país".
Inês Medeiros destacou ainda que "outra ausência foi o tema da habitação". "Em contrapartida, temos assistido a medidas injustas e ineficazes que, na realidade, o que fazem é continuar a promover a especulação imobiliária e continuam a beneficiar aqueles que mais têm e a prejudicar os que menos têm, nomeadamente os jovens".
A socialista referiu ainda que Luís Montenegro quer passar a ideia de que os "portugueses não estão motivados". "Os portugueses estão motivados, quem parece não estar suficientemente motivado para resolver o problema da habitação é mesmo o Governo", apontou.
Que disse Montenegro na mensagem de Natal?
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu, esta quinta-feira, dia 25 de dezembro, que Portugal vive um momento de viragem em que tem de trocar a "mentalidade do deixar andar" pela da superação, apontando o futebolista Cristiano Ronaldo como exemplo do espírito de afirmação pela excelência.
Na sua segunda mensagem de Natal enquanto chefe do executivo PSD/CDS-PP, Luís Montenegro manifestou a convicção de que não haverá legislativas antecipadas até 2029 e apelou a que, até ao final da legislatura, todos se concentrem no interesse do país.
"Não temos de estar todos de acordo, mas temos de compreender que não é a nossa posição individual o mais importante (...) Agora que vamos ter cerca de 3,5 anos sem eleições nacionais, é a altura de todos nos focarmos em cumprir a nossa responsabilidade e fazer tudo para garantir a Portugal e a cada português um futuro mais próspero", avisou.
O primeiro-ministro realçou os resultados económicos dos últimos anos, considerando que dão mais razões para acreditar que o país está "no caminho certo".
"Portugal é hoje uma referência a nível europeu e mundial. Os rendimentos dos portugueses estão a subir e a nossa economia a crescer consistentemente acima da média europeia", destacou, voltando a realçar a recente distinção de Portugal pela revista "The Economist".
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