Presidente eleita de Baião promete "governação com sensatez e sensibilidade"

Outubro 23, 2025 - 09:00
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Presidente eleita de Baião promete "governação com sensatez e sensibilidade"

Nas eleições de 12 de outubro, a coligação PSD/CDS-PP ganhou Baião ao PS, que não perdia esta autarquia desde 2005, quando o atual líder dos socialistas, José Luís Carneiro, natural deste concelho do distrito do Porto, a conquistou e liderou até 2015.

 

"O concelho era coordenado há 20 anos pelo PS e agora muda. O resultado foi histórico, mas também surpreendente. Seria muito hipócrita da minha parte negar isso. Vai ser preciso pacificar o concelho (...). É importante que haja uma governação com sensatez, com sensibilidade, para tentar que todos consigamos trabalhar em conjunto", afirmou, em entrevista à agência Lusa.

Aos 33 anos, a empresária do ramo da sustentabilidade têxtil que começou o seu percurso político na JSD em 2017, lidera o PSD de Baião há cinco, e a bancada social-democrata na Assembleia Municipal há oito, vencendo agora a câmara com maioria absoluta.

"Para ser franca, eu só me apercebi dessa dimensão nacional quando o [presidente do PSD] Luís Montenegro me ligou a dar os parabéns. Nunca me moveu ganhar a terra do Dr. José Luís Carneiro, uma pessoa que, apesar de pertencermos a cores políticas diferentes, respeito e acho que tem um percurso extraordinário dentro da política", disse.

Para Ana Raquel Azevedo, a vitória "histórica e surpreendente" deveu-se à vontade que "a população demonstrou de mudar, de dar oportunidade aos jovens, à identificação com o projeto do PSD/CDS-PP e a uma campanha muito focada nas ideias, nas equipas e no porta a porta".

"As pessoas sabem, com toda a certeza, que não tenho a experiência de governação do atual presidente [Paulo Pereira, presidente da Câmara de Baião há 8 anos e antes vereador nos mandatos de José Luís Carneiro], mas deram-me esse voto de confiança, acreditaram que sou capaz de trabalhar em prol do concelho", analisou, acrescentando: "Acho que o que os baionenses disseram no domingo dia 12 é que temos de saber trabalhar todos juntos".

Lembrando que os socialistas conquistaram 10 das 14 juntas de freguesia de Baião, o que lhes garante maioria na Assembleia Municipal, a nova autarca considerou que esta vitória "não foi um cartão vermelho ao PS", mas sim "um cartão vermelho à governação do atual executivo municipal".

"Lideraram Baião de forma arrogante nos últimos anos e isso foi ainda mais notório durante a campanha eleitoral. Mas tal como é preciso saber perder, também é preciso saber ganhar. Sei muito bem que vou ter de fazer um trabalho diplomático (...). E eu tenho a plena noção que falo de uma forma mais simples, e isso já é considerado simplista, já é considerado populista, e não é", sublinhou.

E ainda a este propósito, a cerca de 10 dias da tomada de posse a nova presidente prometeu: "Nenhum baionense ou nenhum funcionário da Câmara vai sofrer represálias por ter pertencido a outras listas políticas. Isto não é nenhum clichê. Quero fazer uma governação justa e igual para todos".

Em matéria de prioridades, rejeitando adiantar metas e orçamentos porque "primeiro quer sentar-se com todos os funcionários da Câmara e perceber o que está bem, o que está mal, o que pode ser melhorado", Ana Raquel Azevedo destacou três eixos: habitação, emprego e coesão social.

"A minha geração saía de Baião porque não tinha trabalho. Hoje em dia, há jovens que até têm trabalho em Baião, mas não têm habitação", lamentou.

Por isso quer lançar o programa "Baião Arrenda" para ampliar a oferta das tipologias de casas mais procuradas e o regime de renda apoiada, disponibilizar a Câmara como intermediária entre proprietários e inquilinos, mas "primeiro que tudo fazer uma análise ao gabinete de urbanismo".

"Ao longo da campanha, encontramos inúmeras famílias que desistiram de construir em Baião por causa da morosidade dos licenciamentos, jovens que foram para Marco de Canaveses que está a construir a todo o vapor. Temos que perceber o que é que está a falhar. Se é preciso contratar mais, contratamos mais, se são as questões burocráticas temos que simplificar o máximo possível. Um território de baixa densidade não se pode dar ao luxo de perder nem mais um habitante por causa das questões ligadas ao licenciamento", considerou.

Também para atrair e fixar jovens no concelho, a presidente eleita quer avançar com a devolução gradual do IRS e, em jeito de incentivo à natalidade, promete dar 1.200 euros por cada nova criança de Baião, verba a ser gasta no comércio local.

Já o "Baião Atrai", para captação de empresas e criação de emprego, será um programa destinado a "criar um ambiente favorável ao investimento", constituído por uma equipa de funcionários da autarquia e pessoas com ligações ao mundo empresarial às quais vai pedir que façam o mapeamento das potencialidades e dos estrangulamentos.

"Depois de fazerem esse estudo, de perceber para onde é que devemos ir, vão correr o país e, quem sabe, até o mundo à procura de empresas e de investimentos. Não podemos esperar - que era o que acontecia até agora - que as empresas venham bater à porta da Câmara e dizer 'quero vir para Baião'", referiu.

Na área da Educação, para Ana Raquel Azevedo o foco deve "estar a 10, 15, 20 anos", através da introdução de áreas como robótica e programação, por exemplo, para "pôr as crianças de Baião a aprender as ferramentas do futuro, preparando-as para os empregos do futuro".

Para os mais idosos, promete reformular os Centros de Relação Comunitária, estruturas criadas em parceria pelas Juntas de Freguesias e Câmara Municipal para ocupação de tempos livres, um projeto que elogiou e que quer "profissionalizar para garantir mais oferta", envolvendo as IPSS do concelho.

Outro projeto que quer rever logo no arranque do mandato é o do Fórum Municipal do Tijelinho, "uma infraestrutura a colocar no local onde atualmente se realizam as feiras gastronómicas e quinzenais que possa até atrair grandes eventos".

"Apresentámos o esboço durante a campanha eleitoral daquilo queremos fazer lá. Mas eu sei que já há uma ideia na Câmara. Nós não vamos rasgar tudo o que está feito e até pouparemos dinheiro se o que encontrarmos fizer sentido para nós", disse, frisando a ideia de que "não veio para acabar com tudo que estava a ser feito".

"Há coisas que estavam a ser bem-feitas. Foram criados centros escolares e infraestruturas que obviamente merecem o nosso reconhecimento (...). Aquilo que eu peço às pessoas é: primeiro, tempo para chegarmos, percebermos, nos adaptarmos. Depois vamos começar a fazer o que achamos que não foi feito durante 20 anos", concluiu.

Nas eleições de 12 de outubro, para a Câmara Municipal de Baião, a coligação PSD/CDS-PP obteve 51,68%, elegendo quatro elementos, enquanto o PS alcançou os 40,67% e três mandatos.

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