Presidente da Colômbia divulga registos bancários face acusações dos EUA

Novembro 20, 2025 - 08:00
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Presidente da Colômbia divulga registos bancários face acusações dos EUA

A Unidade de Informação e Análise Financeira da Colômbia começou esta semana a divulgar à imprensa os extratos bancários do presidente desde 2022 até junho deste ano, após o chefe de Estado ter ordenado a sua divulgação na segunda-feira.

 

"Não acham alarmante que as minhas contas bancárias e transações contradigam a avaliação do presidente (Donald) Trump sobre um presidente democraticamente eleito pelos colombianos?", questionou hoje Petro na rede social X.

Petro refere-se às sanções impostas pelo Departamento do Tesouro dos EUA a ele, à primeira-dama Verónica Alcocer e ao seu filho mais velho, Nicolás Petro, todos acusados de ligações ao tráfico de drogas sem evidências.

No entanto, os analistas permanecem céticos quanto a se a publicação das suas contas alcançará o objetivo que o presidente pretendia, alertando que a medida, em vez disso, gerou uma discussão pública sobre a sua vida privada.

Se houve alegadas transações de tráfico de drogas, "certamente não aparecerão nas contas do presidente", disse Yann Basset, professor de ciência política na Universidad del Rosario, à Associated Press, acrescentando que não acredita que a iniciativa de Petro vá convencer especialistas ou os Estados Unidos.

É "mais um ato de transparência para com o público", afirmou Basset. Até agora, as contas divulgadas não mostraram sinais de transações suspeitas, mas revelaram pagamentos de hipoteca de uma casa, compras em lojas das marcas Gucci e Ralph Lauren e uma transação num clube de striptease.

Isto provocou críticas da imprensa local. "A tua análise é bastante imatura", escreveu hoje Petro no X, depois de ser questionado sobre os seus gastos. "Implica que, se és socialista, vais passar fome, porque toda a comida no capitalismo envolve comprar bens", acrescentou.

Petro chegou ao poder com uma plataforma que desafiava diretamente os grupos de poder concentrado, prometendo mudanças estruturais para reduzir significativamente a desigualdade e a pobreza na Colômbia.

"Tudo isto está a gerar um debate adicional, e completamente desnecessário, sobre os gastos do presidente", defendeu Sandra Borda, professora de ciência política na Universidade dos Andes. "Acredito que isso poderá afetar negativamente a perceção das pessoas sobre o compromisso social de Petro", acrescentou.

O debate sobre os gastos de Petro surge quando a Colômbia se prepara para eleger um novo Congresso e presidente em março e maio de 2026, respetivamente. Petro é legalmente inelegível para reeleição, mas já indicou a sua intenção de manter a esquerda no poder.

 A decisão de divulgar os seus registos bancários "é compreendida no contexto da campanha eleitoral e como um desejo de mostrar transparência", afirmou Basset, notando que ainda se está para ver se a opinião pública acabará por favorecer o esforço de transparência ou a controvérsia em torno dos gastos do presidente.

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