Portugal é "economia do ano". Como reagiram Governo e candidatos a Belém?

Dezembro 9, 2025 - 00:00
 0  0
Portugal é "economia do ano". Como reagiram Governo e candidatos a Belém?

Portugal é a "economia do ano" de 2025 para a revista britânica "The Economist", que compilou dados económicos dos 36 países mais ricos do mundo. Espanha, que tinha ganho no ano passado, caiu para a quarta posição.

 

Para elaborar esta lista, a revista compilou dados de cinco indicadores económicos - inflação, o desvio da inflação, o Produto Interno Bruto (PIB), o emprego e o desempenho da bolsa de valores.

"Em 2025, [Portugal] conseguiu combinar um forte crescimento do PIB, baixa inflação e um mercado de ações em alta", escreveu a revista.

A puxar pelo PIB e pelo emprego em Portugal, segundo a "The Economist", está o turismo, numa altura em que "muitos estrangeiros ricos estão a mudar-se para o país para aproveitar as baixas taxas de impostos".

E quais as reações à distinção? "Justa aclamação do mérito", diz Montenegro

Numa publicação na rede social X, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou, ainda no domingo, que "a distinção pela revista 'The Economist' de que a 'economia do ano' foi a portuguesa é uma justa aclamação do mérito e do trabalho dos portugueses e reforça a motivação do Governo em seguir o rumo que nos trouxe até aqui nos últimos meses".

"É a reformar com coragem e a tornar o país mais competitivo e produtivo que vamos continuar a criar emprego, a aumentar os salários e a reforçar o Estado social. Assim daremos mais bem-estar e mais futuro aos portugueses", escreveu o primeiro-ministro.

Por sua vez, o ministro da Economia e da Coesão Territorial atribuiu a escolha de Portugal como a "economia do ano" da "The Economist" ao "trabalho dos portugueses". Admitiu, contudo, que Portugal não passou de "pobre a rico".

Manuel Castro Almeida reconheceu, em entrevista esta segunda-feira à SIC Notícias, que, apesar da "muito boa notícia" que foi este reconhecimento, "em casa" as pessoas podem não compreender como é que Portugal pode ser escolhido como a "economia do ano": "As pessoas que estão em casa dizem: ‘então, mas estamos em primeiro lugar e está tão bem assim e eu não sinto nada na minha vida ou sinto pouco?’"

E explicou: "O que a The Economist vem dizer é que Portugal em 2025 deu um salto maior do que os outros, só que partimos muito de trás". Portugal, continuou, não passou de "pobre a rico". "Passámos é de muito pobres a um pouco menos pobres. Demos o maior salto de todos, mas continuamos a ser um país com grandes desigualdades"

De

De "pobres a ricos"? "Passámos é de muito pobres a um pouco menos pobres"

O ministro da Economia e da Coesão Territorial atribui a escolha de Portugal como a "economia do ano", da The Economist, ao "trabalho dos portugueses". Manuel Castro Almeida, contudo, admite que Portugal não passou de "pobre a rico". Carolina Pereira Soares | 16:18 - 08/12/2025

"Problemas estruturais" e "notícia excelente". Candidatos a Belém 'divididos'

Henrique Gouveia e Melo também deixou algumas palavras neste âmbito e, esta segunda-feira, asseverou que a economia portuguesa "tem problemas estruturais", porque tem quase 20% do PIB dependente do turismo.

"Se houver uma crise internacional que afeta o turismo, nós entramos numa crise profunda. Por isso, nós precisamos de ter indústrias a este género de atividade", disse.

Gouveia e Melo defende equilíbrio entre economia e direitos dos trabalhadores

Gouveia e Melo defende equilíbrio entre economia e direitos dos trabalhadores

O candidato presidencial Gouveia e Melo defendeu hoje que a economia portuguesa deve ser mais diversificada e encontrar um equilíbrio entre a flexibilidade e os direitos dos trabalhadores, durante uma visita a uma fábrica de casas modulares, no Montijo. Lusa | 14:19 - 08/12/2025

Por sua vez, João Cotrim Figueiredo defendeu, também um dia depois de a revista britânica "The Economist" ter distinguido Portugal, que o nosso país precisa de maior ambição e de uma atitude mais aberta à mudança.

"Não vou dizer que não é agradável. Mas olho para além dos títulos. Fui ver exatamente como era feito o 'ranking'. Continuamos com 10 a 11 países à nossa frente do ponto de vista de crescimento económico. Estamos, de facto, a comparar-nos com um conjunto de países europeus todos eles em relativa apatia. E as exceções são países que estão a recuperar de um impacto da pandemia bastante mais profundo do que outros", disse.

"Acho que falta ambição à política portuguesa de uma forma geral"

O candidato presidencial João Cotrim de Figueiredo afirmou hoje, nos Açores, que "falta ambição à política portuguesa", defendendo que o Presidente da República deve ser uma "referência otimista, confiante e desafiadora" capaz de evitar o "marasmo". Lusa | 17:09 - 08/12/2025

Já Luís Marques Mendes, em declarações aos jornalistas durante uma visita ao evento "Óbidos Vila Natal", considerou que "Portugal ser considerado este ano, entre 36 países dos mais desenvolvidos do mundo, aquele que está em primeiro lugar, é uma notícia excelente".

"[Para os] portugueses, que estão permanentemente a ser bombardeados com notícias pela negativa, esta é uma notícia pela positiva". "Acho que esta notícia é das coisas mais extraordinárias que o país pode ter", salientou, sustentando que "aumenta a autoestima e a ambição"

Distinção da economia portuguesa é

Distinção da economia portuguesa é "notícia excelente". "Aumenta ambição"

O candidato presidencial Luís Marques Mendes considerou hoje que Portugal ter sido considerado a "economia do ano" pela revista The Economist é "uma notícia excelente" e defendeu um que o país deve ter "um espírito de maior ambição". Lusa | 18:11 - 08/12/2025

Por outro lado, André Ventura vincou, também hoje, que é preciso conhecer os critérios desta classificação pela "The Economist" e lembrou que o país integra outros 'rankings' menos positivos: "Portugal também está noutros 'rankings' maus de pobreza dos seus idosos e dos reformados, também está em rankings maus de subsidiodependência e de dependência do estado da economia, de níveis de burocracia".

No entender de Ventura, o Executivo poderia tirar partido deste 'ranking' para mudar a visão económica: "Gostava que o Governo aproveitasse esta oportunidade que temos aqui para poder olhar para a economia como um serviço às pessoas e não como uma aritmética de números ou como um Excel para mostrar à União Europeia", defendeu.

Ventura quer economia ao

Ventura quer economia ao "serviço às pessoas" ao invés de "aritmética"

O candidato presidencial André Ventura exortou hoje o Governo a encarar a economia "como um serviço às pessoas" ao invés de se preocupar com "uma aritmética de números" ou "um Excel para mostrar à União Europeia". Lusa | 18:23 - 08/12/2025

António José Seguro salientou que o "dinamismo do mercado laboral" foi uma das razões para a economia portuguesa ter sido distinguida pela revista "The Economist" e questionou "qual a necessidade" de alterar a legislação laboral.

"Isto é uma excelente notícia para o nosso país, quando reconhecem a vitalidade da nossa economia. Mas se repararem, um dos fundamentos desse reconhecimento reside no dinamismo do mercado laboral que nós temos no nosso país, e mais uma razão para não se perceber qual é a necessidade que o Governo tem de alterar a legislação laboral", afirmou.

"The Economist" reconheceu também "dinamismo do mercado laboral"

O candidato presidencial António José Seguro considerou hoje que o "dinamismo do mercado laboral" foi uma das razões para a economia portuguesa ter sido distinguida pela revista 'The Economist' e questionou "qual a necessidade" de alterar a legislação laboral. Lusa | 18:36 - 08/12/2025

Por fim, a candidata presidencial Catarina Martins frisou que "não há nenhum sucesso" numa economia quando "quem trabalha não consegue pagar a casa, a farmácia e o supermercado", acusando o Governo de estar "deslumbrado" com a distinção da revista "The Economist".

"É preciso ver porque é que acharam que Portugal era economia do ano. Há alguns argumentos que eu acho que são insólitos. Um dos argumentos é o mercado de ações [que] está em alta. Eu tenho a certeza neste país que pensou que se o mercado de ações está em alta, então isto vai de vento em popa", apontou.

"Não há sucesso quando quem trabalha não consegue pagar casa, contas"

A candidata presidencial Catarina Martins considerou hoje que "não há nenhum sucesso" numa economia quando "quem trabalha não consegue pagar a casa, a farmácia e o supermercado", acusando o Governo de estar deslumbrado com a distinção da revista Economist. Lusa | 20:23 - 08/12/2025

Leia Também: Revista "The Economist" escolhe Portugal como a "economia do ano"

Qual é a sua reação?

Gosto Gosto 0
Não gosto Não gosto 0
Amor Amor 0
Engraçado Engraçado 0
Zangado Zangado 0
Triste Triste 0
Wow Wow 0