Polícia do Nepal dispersa milhares em protesto contra bloqueio de 'redes'
A polícia interveio quando o protesto se aproximava do parlamento, cujo acesso tinha sido bloqueado.
"Usámos gás lacrimogéneo e canhões de água quando os manifestantes entraram na área restrita", avançou o porta-voz da polícia local, Shekhar Khanal.
"Muitas pessoas ficaram feridas de ambos os lados", acrescentou, sem fornecer mais pormenores.
O Ministério da Comunicação e Tecnologia da Informação do Nepal anunciou na quinta-feira ter ordenado o bloqueio de 26 plataformas de internet, incluindo o Facebook, o YouTube, a X e o LinkedIn, que não se registaram dentro do prazo que tinha sido dado.
De acordo com uma decisão de 2023 do Supremo Tribunal de 2023, o ministério exige que as plataformas nomeiem um representante local e uma pessoa responsável por regular os seus conteúdos, o que, no caso das empresas em causa, não aconteceu.
Esta decisão, interrompeu muitas atividades no país, levou muitos utilizadores furiosos a protestar.
"Estamos aqui para denunciar o bloqueio das redes sociais, mas essa não é a nossa única motivação", disse o estudante Yujan Rajbhandari, de 24 anos, em declarações à agência de notícias francesa AFP.
"Também estamos a denunciar a corrupção institucionalizada no Nepal", acrescentou o estudante.
"Esta decisão reflete as práticas autoritárias do Governo e queremos que isso mude", explicou outro estudante, Ikshama Tumrok, de 20 anos.
Desde que o bloqueio entrou em vigor, as plataformas ainda em funcionamento, como o TikTok, têm sido inundadas com vídeos a questionar o estilo de vida luxuoso dos filhos dos políticos.
"Tem havido protestos contra a corrupção em todo o mundo, e eles [os líderes] temem que o mesmo aconteça aqui", referiu outra manifestante, Bhumika Bharati.
Num comunicado divulgado no domingo, o Governo negou qualquer tentativa de minar a liberdade de pensamento e de expressão e argumentou que a sua decisão visa criar "um ambiente de proteção e livre exercício" dos direitos das pessoas.
O Governo reiterou que as plataformas alvo voltarão a funcionar assim que apresentassem um pedido de registo.
O bloqueio decretado na quinta-feira não é inédito.
Em julho passado, por exemplo, o Governo nepalês suspendeu o serviço de mensagens Telegram, alegadamente devido ao aumento de fraudes 'online'.
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