Pizarro acusa Leitão Amaro de mentir e desrespeitar quem fez greve
Manuel Pizarro acusou António Leitão Amaro de ter "mentido" em relação ao impacto da greve geral, desrespeitando todos aqueles que se manifestaram contra o pacote laboral apresentado por este Governo.
Numa publicação mais pessoal, feita na quinta-feira através das suas redes sociais, o antigo ministro da Saúde afirmou que "hoje [ontem] fiz greve". "Coisa rara na minha vida", admitiu.
O médico revela que nunca o fizera antes por respeito aos seus doentes, tendo até chegado “a fazer greve – não assinando a presença – em dias em que fui trabalhar normalmente”.
“Depois, nos lugares políticos que fui ocupando, a greve não fazia sentido”, confessa, para revelar que tudo mudou. "Hoje fiz greve. Com convicção. Estive, aliás, uma parte da manhã no “meu” Hospital de S. João e constatei uma adesão esmagadora. Vi também compreensão e apoio nos doentes, mesmo aqueles que viram o seu quotidiano perturbado pela greve”, escreveu.
Considerando que “as alterações que o Governo quer fazer à lei laboral são uma declaração de guerra a quem trabalha”, Manuel Pizarro tece, ainda, críticas ao ministro da Presidência, António Leitão Amaro, que ontem afirmou que a adesão à greve fora “inexpressiva” e que a “esmagadora maioria dos portugueses estava a trabalhar”.
"Quando ouvi o Ministro Presidência apoucar a greve, mentindo a respeito do seu impacto, desrespeitando quem fez greve e quem sofreu com ela, fiquei ainda mais contente por ter aderido. EM NOME DA DIGNIDADE DE QUEM TRABALHA".
O antigo governante questiona ainda "a legitimidade" do pacote laboral que o Governo quer implementar, questionando "porque razão a AD, durante a recente campanha eleitoral, não anunciou estas medidas".
"Hoje não fiz greve por minha causa. Estas mudanças não me atingem. Mas, fiz greve com convicção. Como diz a este respeito José Teixeira, CEO da DST, uma das maiores empresas portuguesas de construção civil: “deixem os trabalhadores em paz”, remata.
Greve geral e a guerra dos números
O pacote de revisão da lei laboral foi o pontapé de saída para uma greve geral, na quinta-feira, cujos números da adesão dividiram Governo e patrões, de um lado, e as centrais sindicais, do outro.
Os primeiros balanços da CGTP, que começaram pelas 5h30, foram revelando que vários estabelecimentos estavam encerrados, desde escolas, passando por autarquias e até unidades de saúde.
Aliás, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, dizia, por volta da hora do almoço, que mais de três milhões de pessoas tinham aderido à paralisação. "A greve geral que hoje [quinta-feira] se está a realizar é uma das maiores de sempre, se não a maior de sempre", afirmou Tiago Oliveira.
Opinião oposto apresentou o Governo. O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, considerou que o nível de adesão era "inexpressivo", ao contrário do que diziam, então, os sindicatos.
"Esta parece mais uma greve parcial da Função Pública. O país está a trabalhar. A adesão à greve é inexpressiva", disse o ministro da Presidência, numa conferência de imprensa de balanço da greve, em Lisboa. "A esmagadora maioria do país está a trabalhar", rematou.
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