PCP quer esclarecimentos sobre fusão da Galp e Moeve
Em declarações aos jornalistas no parlamento, o deputado do PCP Alfredo Maia sublinhou que o Estado detem uma participação de 8,2% na Galp, manifestando preocupação em relação à fusão entre as duas empresas e quanto ao futuro da refinaria de Sines.
Segundo Alfredo Maia, a bancada solicitou a audição da ministra Maria da Graça Carvalho "com a máxima urgência" para que preste esclarecimentos sobre aquela operação.
"[A fusão] coloca sérias dúvidas relativamente ao futuro da refinaria de Sines, da soberania nacional em termos de abastecimento de combustíveis e do destino dos próprios trabalhadores", afirmou o deputado.
O PCP questionou sobre como pretende o Governo salvaguardar a refinaria de Sines e como poderá igualmente ser salvaguardada "a capacidade soberana do país de proceder à refinação de produtos petrolíferos, no quadro do negócio em curso entre a Galp e a Moeve".
Por fim, os comunistas portugueses perguntam ainda se o Governo avaliou os "impactos económicos da transferência para as mãos de capital estrangeiro" de uma das "mais importantes empresas nacionais".
"A posição do PCP em relação a esta, como outras empresas, tem sido muito clara, é a de que as empresas e setores estratégicos devem estar nas mãos do país, aliás, como defendemos também para estes setores, até deveriam ser de controlo público", salientou o deputado.
Alfredo Maia defendeu ainda que esta fusão pode prejudicar os consumidores.
"Naturalmente que esta nova empresa com esta dimensão, ainda por cima com interesses ditados a partir do estrangeiro, o risco de os consumidores serem prejudicados relativamente aos preços dos combustíveis é realmente bastante sério", acrescentou.
A Galp e a Moeve anunciaram um acordo para avançar para a potencial integração dos seus negócios de refinação e processamento de petróleo ('downstream') na Península Ibérica, criando duas plataformas energéticas europeias: uma industrial e outra focada na mobilidade.
De acordo com um comunicado divulgado pela Moeve, as negociações avaliarão a possível criação dessas plataformas: uma industrial, focada na refinação, produtos químicos, comercialização, moléculas verdes e combustíveis de baixo carbono, voltada para o atendimento a clientes corporativos (IndustrialCo), e outra de mobilidade focada na venda de combustíveis, incluindo recarga de veículos elétricos (RetailCo).
Em relação ao controlo das plataformas, os atuais acionistas da Moeve - Mubadala e Carlyle - controlarão a plataforma industrial, enquanto a Galp manterá uma participação de mais de 20%, segundo o comunicado.
Por outro lado, os atuais acionistas da Moeve e da Galp compartilharão o controle da RetailCo.
Pretende-se ainda que a RetailCo combine as redes de postos de serviço de ambas as empresas para criar uma rede pan-ibérica com aproximadamente 3.500 pontos de venda em Portugal e em Espanha.
Essa maior escala, segundo o comunicado, permitirá uma oferta de serviços superior. A nova plataforma também acelerará o investimento em recarga de veículos elétricos e serviços de mobilidade de última geração.
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