"PCP não abdica de intervir na 2.ª volta para derrotar Ventura"
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, admitiu que o resultado de António Filipe nas eleições presidenciais ficou aquém daquilo que eram as expectativas, defendendo que o então candidato presidencial precisava de ter "um resultado que marcasse de forma clara o rumo que país precisa".
"É um resultado manifestamente aquém daquilo que precisávamos, caracterizamos como aquém daquilo que o povo português precisava, que os trabalhadores e a juventude em particular precisavam. António Filipe precisava de ter tido um resultado que marcasse de forma clara o rumo que o país precisa", começou por explicar, em entrevista à SIC Notícias, na noite de sábado.
Paulo Raimundo defendeu que o "país precisa de um rumo de salários, um rumo de condições para que os jovens cá vivam, cá fiquem, cá trabalhem, contribuam com a sua energia para fazer este país andar para a frente".
Questionado sobre o que falhou nestas eleições presidenciais, o líder do PCP afirmou que a análise que fizeram é de que estas "eleições foram históricas, não tanto pelo número de candidatos, mas sim porque tiveram um grande de condicionamento, chantagem e de pressão como nenhumas outras tiveram até agora".
"Nós verificámos uma situação que caracterizamos como aspirador de votos. E houve muita gente, até apoiantes de António Filipe, que foi condicionada, pressionada para fazer uma opção de voto numa primeira volta, nomeadamente em António José Seguro", salientou.
E acrescentou: "Na prática o que é que aconteceu? António José Seguro podia ter tido menos 14 pontos percentuais, podia ter tido menos 800 mil votos do que os que que teve e teria passado à segunda volta. E, portanto, esses 800 mil votos fizeram muita falta, desde logo, à candidatura de António Filipe".
Apesar da derrota, na ótica de Paulo Raimundo, a candidatura de António Filipe foi "indispensável", questionando sobre "o que teria sido o debate na primeira volta das eleições, onde teria ficado o pacote laboral, onde é que teria ficado a soberania do país" ou "os direitos da juventude".
"Onde é que teria ficado toda essa discussão? Onde é que teria ficado a afirmação da paz e do combate contra a loucura da guerra e do armamento? Isto não teria existido na primeira volta do debate se não tivesse existido a candidatura de António Filipe", considerou.
Paulo Raimundo destacou ainda que nestas eleições viveu-se um "fenómeno" como nunca se tinha vivido, referindo-se às sondagens, em particular durante a última semana de campanha, que dava a passagem de três candidatos à segunda volta das eleições presidenciais.
"Tudo isso levou a que muita gente democrática, patriótica, amigos, tenha fugido para o voto útil", notou, acrescentando que "foi demasiado útil para quem o recebeu e que faltou a quem precisava dele".
"PCP não abdica de intervir na segunda volta para derrotar André Ventura"
Paulo Raimundo já anunciou que recomendaria o voto na candidatura de António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais, que acontecem no dia 8 de fevereiro.
"Aquilo que nós afirmámos é que era preciso derrotar André Ventura e este é o caminho. Aquilo que se coloca é que o PCP não abdica de intervir na segunda volta para derrotar André Ventura. A única forma de o fazer não é votar em branco nem nulo, é votando em António José Seguro", explicou, notando, no entanto, que não se juntará à campanha eleitoral.
Questionado sobre o posicionamento do Governo nesta segunda volta, uma vez que o candidato do PSD não irá a votos, o secretário-geral do PCP disse compreender a estratégia do primeiro-ministro, Luís Montenegro.
"Luís Montenegro, aquilo que afirmou, é que quer manter no PS a reserva para que, se for preciso, acenando esta ou aquela pressão, chantagem, o PS faça como fez agora e aprove o Orçamento de Estado, ou outras peças fundamentais, ao mesmo tempo quer manter o apoio do Chega e de André Ventura, que nunca lhe faltarão, como nunca faltaram, para aquilo que é essencial. Nesses aspetos centrais, o Chega nunca lhe faltará. Para lá da demagogia, para lá do barulho, nunca lhe vai faltar. E, portanto, é o melhor dos dois mundos para Luís Montenegro", considerou.
PCP "não desapareceu", diz Paulo Raimundo
Já perguntado acerca dos últimos resultados eleitorais do PCP, o secretário-geral do partido frisou que as Autárquicas mostraram que o PCP "não desapareceu", embora não negue os "resultados menos positivos".
"Nunca me ouvirá a dizer que os resultados negativos são positivos, nem o contrário", disse.
Sobre eventuais mudanças dentro do partido, Paulo Raimundo questionou: "Fazer mudanças para quê? Para mudar a exigência sobre os salários? Para mudar a exigência sobre o aumento das reformas?".
"Se há coisas que o PCP, de forma dogmática, não prescinde, é da confiança nos trabalhadores, no povo e na juventude. Sabemos que é no povo, nos trabalhadores e na juventude que está a força, aliás, como se mostrou na greve geral, para abrir o caminho que se impõe no nosso país", frisou.
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