PCP acusa Governo de tratar habitação como um negócio da banca
"O Governo habitou-nos a duas grandes linhas de atuação. Uma é o da propaganda [...] e depois tem outra solução que é, para cada problema encontra sempre uma oportunidade de negócio", acusou Paulo Raimundo.
O secretário-geral do PCP falava aos jornalistas à margem de uma visita a Nespereira, no concelho de Cinfães, distrito de Viseu, para falar com as pessoas afetadas pelos incêndios.
Questionado sobre o acordo assinado hoje entre o Governo e o Banco Europeu de Investimento (BEI), que prevê uma linha de financiamento para apoiar a construção e a renovação de 12 mil habitações, Paulo Raimundo criticou as opções do executivo na habitação.
O líder comunista afirmou que o que o Governo fez foi "foi dar crédito à banca para que a banca concedesse crédito às pessoas", sublinhando que a banca "tem cinco milhões de euros de lucro por dia" e que "grande parte desses lucros advém do crédito".
"A gente assim não vai lá! O que o governo fez foi um ato formal de contratação de empréstimo e pronto. Faz disso uma popa e circunstância. A banca fica agradecida, quem vai aceder a crédito mais barato, vende o crédito a nós ao preço do costume. A gente continua a pagar as rendas e prestações altíssimas e comissões para todo o tipo", reagiu.
Com isto, "o drama mantém-se, os preços das rendas mantém-se altíssimos e o governo, pelos vistos, quer que aumente ainda mais".
Raimundo defendeu que o Estado "deve pegar no seu património e rentabilizá-lo ao máximo" e a título de exemplo indicou o antigo edifício do Ministério da Educação, na avenida 05 de outubro, em Lisboa.
"O ministério saiu de lá e o edifício era para ser transformado em residência universitária, para centenas de estudantes que tanto precisam. E podia ser noutra cidade qualquer. Tem um projeto aprovado e, agora, nessa lista de venda, esse edifício está na lista do Governo. Isto cabe na cabeça de alguém?", questionou.
Neste sentido, defendeu que "este governo transforma cada problema numa oportunidade de negócio".
"E não é para mim, nem para si. É um negócio para os grandes interesses e esse é um exemplo disso", acusou.
IYN // SF
Lusa/Fim
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