Parlamento presta homenagem a Balsemão: "Cidadão exemplar"
O voto foi apresentado e lido pelo próprio presidente da Assembleia da República, o social-democrata José Pedro Aguiar-Branco. No final, todas as bancadas aplaudiram de pé - incluindo a do Governo -, à exceção da do Chega, com os deputados a aplaudirem sentados.
O Governo manteve-se no plenário ao longo dos vários votos de pesar, associando-se ao minuto de silêncio que se seguiu. Nas galerias, assistiram à leitura do voto vários membros da família e amigos de Pinto Balsemão.
O antigo primeiro-ministro Francisco Pinto Balsemão, fundador e militante número um do PSD, do qual também foi presidente, morreu na passada terça-feira, 21 de outubro, aos 88 anos.
No voto de pesar, recorda-se o percurso de Pinto Balsemão "cuja vida se confunde com a própria história da democracia".
"Foi, aos 32 anos, deputado à Assembleia Nacional, ainda antes da revolução de abril, integrando o grupo da Ala Liberal. Visitou presos políticos e empenhou-se na defesa da liberdade de imprensa, de expressão, de informação e de reunião", recorda o texto.
O voto lembra que, em 1973, criou o Expresso, inspirado no exemplo da imprensa inglesa e, depois do 25 de Abril, fundou, com Sá Carneiro e Magalhães Mota, o Partido Popular Democrático (atual PSD), do qual se tornou primeiro militante.
Foi deputado e vice-presidente da Assembleia Constituinte, ministro adjunto do primeiro governo da Aliança Democrática e assumiu, após a tragédia de Camarate que vitimou o então primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro, a liderança do PPD e a chefia do VII e VIII Governos Constitucionais.
"Enquanto primeiro-ministro, foi um importante protagonista da revisão constitucional de 1982 e do caminho europeu de Portugal", destaca-se.
Foi também advogado, jornalista, professor universitário e empresário. Em 1992, fundou a Sociedade Independente de Comunicação (SIC), a primeira cadeia de televisão privada em Portugal, "integrando um processo de abertura que revolucionou a indústria mediática e o entretenimento" no país.
"Permaneceu, até ao fim dos seus dias, irreverente e livre, comprometido com uma visão de país moderna, democrática, europeia e aberta, que ajudou a construir através do seu empenho nas diversas áreas", realça ainda o voto.
O parlamento endereçou à família, aos amigos e ao grupo Impressa votos de condolências e deixou a convicção de que "a democracia portuguesa, na sua forma atual, muito deve ao empenho cívico, ao impulso estratégico e ao trabalho de Francisco Pinto Balsemão".
"Um homem que, tendo sido quase tudo o que se pode ser em democracia, foi sempre, e acima de tudo, um cidadão comprometido e exemplar", refere-se.
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