Paris recorda vítimas dos atentados de há 10 anos. Veja as homenagens

Novembro 13, 2025 - 23:00
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Paris recorda vítimas dos atentados de há 10 anos. Veja as homenagens

Não se avançou numa "reflexão mais profunda sobre a radicalização, a prevenção e o viver em conjunto", considerou Zarev, que pertence à LifeForParis.

 

Uma pena, pois "10 anos depois, o diálogo entre as diferentes comunidades pouco evoluiu, e isso é lamentável", disse.

Durante esta década, a associação procurou devolver a confiança as vítimas dos atentados, nomeadamente através de "eventos, incluindo pequenos concertos num café, para permitir aos nossos membros reviverem o ambiente de um concerto num local seguro", disse Stéphanie.

Zarev indicou que vai ser criado, nos próximos anos, na capital francesa um Museu-Memorial do Terrorismo "para que as vítimas nunca sejam esquecidas".

Apoiado pela associação e pela Câmara Municipal de Paris, um jardim memorial situado na Praça Saint-Gervais, atrás da Câmara Municipal da capital francesa, foi o palco da última cerimónia do dia.

"Um ato memorial final, do qual nos orgulhamos profundamente", afirmou Stephanie Zarev.

As cerimónias de homenagem começaram esta manhã em torno do Stade de France, na cidade de Saint-Denis, a poucos quilómetros a norte de Paris.

Foi aí que, há 10 anos, pelas 21:17 locais, se registou a primeira vítima: Manuel Colaço Dias, cidadão português a residir em França, motorista de autocarro de 63 anos que aguardava passageiros, numa esplanada de café.

Numa intervenção junto à placa comemorativa em homenagem ao pai, Sophie Dias afirmou: "Não podemos esquecer os inocentes".

Para a filha, apesar do tempo passado, é impossível virar a página e 10 anos depois "a ausência é imensa, o choque permanece e a incompreensão continua".

Sem notícias do pai até receber a confirmação no dia seguinte, Sophie Dias quis agradecer "a inabalável ajuda do consulado de Portugal", que apoiou a família "nas buscas ao longo daquela noite interminável".

O Presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu que a resposta do país "será intransigente" face a quaisquer atentados terroristas.

Macron falava na intervenção na cerimónia de homenagem às vítimas do atentado de 13 de novembro de 2015.

Um ecrã gigante foi instalado na Praça da República, permitindo aos parisienses acompanhar a cerimónia no mesmo local onde, há 10 anos, centenas de pessoas se reuniram espontaneamente para manifestar pesar e condolências.

A cerimónia começou com uma versão instrumental de "Hells Bells" dos AC/DC num órgão eletrónico, que se entrelaçou com o toque dos sinos da catedral de Notre-Dame e de outras igrejas da capital francesa.

O título de rock da banda australiana foi tocado no sopé da chamada árvore da justiça, um ulmeiro centenário no centro do Jardim 13 de novembro de 2015, situado na Place de l'Église Saint-Gervais, junto à Câmara Municipal de Paris e à catedral de Notre-Dame.

Os ataques terroristas de 2015 foram cometidos por nove homens armados e bombistas suicidas do grupo extremista Estado Islâmico (EI) e causaram mais de 130 mortos e mais de 350 feridos, no Stade de France, em Saint-Dennis, em vários cafés de Paris e na sala de espetáculos Bataclan.

O assalto armado ao Bataclan causou 90 mortos.

Os autores dos atentados dos ataques de 13 de novembro de 2015 foram julgados em junho de 2022. O tribunal criminal de Paris condenou os principais responsáveis a prisão perpétua.

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