Para Farioli resolver. Os números que explicam crise ofensiva do FC Porto
O FC Porto prepara-se para receber o Rio Ave, em jogo da 23.ª jornada agendado para domingo, com uma grande preocupação para Francesco Farioli. O mês de fevereiro não tem sido particularmente produtivo para o conjunto azul e branco e existe, por esta altura, um claro défice ofensivo. Os números mostram isso mesmo. Este FC Porto gera menos oportunidades, mas até se vai revelando altamente eficaz. Ainda assim, há razões para alarme no Dragão.
No segundo mês de 2026, o FC Porto experienciou os três resultados possíveis no mundo do futebol - derrota contra Casa Pia (1-2), empate ante Sporting (1-1) e vitória perante o Nacional (1-0) -, mas em todos eles não foi além de um golo marcado.
Se este registo já é por si só preocupante, a dimensão do problema aumenta quando olhado mais a fundo. Com recurso à plataforma Sofascore, é possível consultar outros dados do jogo relativos à produção ofensiva do FC Porto e a frieza dos números não mente: falta mais apetite pela baliza contrária.
Patrão Bednarek ao resgate
No passado fim de semana, na visita à Choupana, o FC Porto teve menos golos esperados (xG) do que o Nacional (0,55 contra 0,68) e a primeira grande oportunidade de golo pertenceu aos insulares. O conjunto da casa desperdiçou aquilo que parecia ser um golo certo de Chuchu Ramírez, ainda na primeira parte, e precisamente no mesmo sítio, na segunda parte, Jan Bednarek mostrou-se como se faz e desfez o nulo.
O cabeceamento letal do defesa polaco foi, no entanto, um dos cinco remates enquadrados, mas apenas por duas vezes o guardião Kaique sujou as luvas.
'Tiro ao boneco' valeu golo no Clássico
Na semana anterior foi Seko Fofana a apontar o único golo dos dragões frente ao rival Sporting, depois de um lance de enorme confusão na grande área leonina. Depois de tantos remates que acertaram em cheio nos jogadores adversários, o reforço de inverno lá conseguiu direcionar a bola para o sítio certo e estreou-se com um golo.
No entanto, o Sporting foi superior no capítulo ofensivo, tal como mostram os números. Mais golos esperados (1,47 contra 0,81), três remates enquadrados contra um e oito cantos contra um.
Uma vez mais, o FC Porto esteve longe de apresentar o perigo de outrora e em especial do jogo da 1.ª volta do campeonato, no Clássico de Alvalade, onde foi claramente superior (mais golos esperados e mais remates à baliza) e saiu vencedor (2-1).
Obrigado a correr em Rio Maior
Em Rio Maior, onde averbou a primeira derrota no campeonato, a equipa de Farioli acabou por ser bem mais produtiva (superou o Casa Pia em todos os parâmetros ofensivos), mas também teve de correr atrás do prejuízo, o que levou o treinador italiano a apostar numa abordagem mais ousada no segundo tempo.
Contudo, também é justo destacar que o FC Porto entrou com a corda toda nos primeiros minutos, mas voltou a pecar na finalização, num jogo também ele marcado pelas más condições do relvado, numa altura em que a chuva não deu tréguas à região Centro de Portugal.
Pablo Rosario foi o autor do único golo do FC Porto em Rio Maior, o que remete para outro... problema.
Avançados vivem crise?
Feito o resumo de fevereiro, Rosario, Fofana e Bednarek foram os autores dos três golos do mês, que ainda está a decorrer, o que é sintomático da crise vivida pelos avançados do FC Porto.
Samu até se lesionou com gravidade frente ao Sporting, saindo ao intervalo, e desfalcando, inclusive, o atual líder do campeonato para o que falta da temporada.
Borja Sainz, extremo com lugar habitual no onze do FC Porto, não marca nem assiste há nove jogos consecutivos, sendo que os últimos golos apontados remetem para dezembro de 2025.
Por seu turno, Pepê, outro dos indiscutíveis de Farioli, também se encontra num período de menor inspiração, estando há 11 jogos sem qualquer golo marcado. Pelo meio assistiu por duas vezes, a última das quais em janeiro deste ano.
Deniz Gul emergiu no onze do FC Porto após a lesão de Samu, mas terá de fazer mais para voltar aos golos. O internacional turco contabiliza cinco golos no total da temporada, mas apenas dois foram marcados na I Liga e o mais recente data de 27 de outubro.
William Gomes, tal como Samu, marcou contra o Gil Vicente, ainda em janeiro, e depois foi expulso frente ao Casa Pia, regressando na Madeira para ser lançado em cima dos 90 minutos. O extremo brasileiro contabiliza oito golos.
Sobram, ainda, Oskar Pietuszewski e Terem Moffi, reforços de inverno cujo rendimento seria injusto de avaliar por esta altura, bem como André Miranda, ainda à espera de uma oportunidade na equipa principal. Há ainda Yann Karamoh, que apenas teve direito a sete minutos, e Luuk de Jong, que também está fora das opções devido a uma grave lesão contraída no final de novembro.
Rio Ave é presa fácil?
Com maior ou menor dificuldade no processo ofensivo, o FC Porto sabe que terá de continuar a ser, acima de tudo, eficaz na hora de atirar às balizas contrárias.
No domingo será a vez de medir forças com o Rio Ave, equipa que está longe de estar num bom momento (cinco derrotas consecutivas no campeonato) e que apenas por uma vez conseguiu vencer os portistas na condição de visitante, ainda no Estádio das Antas, antiga casa do FC Porto, corria o ano de 1981.
A partida entre FC Porto e Rio Ave está agendada para as 20h30 de domingo e contará com a arbitragem de David Silva. Os dragões, refira-se, continuam donos e senhores do primeiro lugar da tabela classificativa, com mais quatro pontos do que o Sporting e sete do Benfica, segundo e terceiro classificados, respetivamente.
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