"Para esquecer". Martínez explica desaire e defende Cristiano Ronaldo
A República da Irlanda protagonizou, esta quinta-feira, aquele que é o resultado mais surpreendente da quinta e penúltima jornada da fase europeia de apuramento para o Campeonato do Mundo de 2026 até ao momento, ao derrotar Portugal, no Aviva Stadium, em Dublin, por 2-0, graças a um 'bis' de Troy Parrott.
A equipa das quinas tinha em mãos a oportunidade de selar, desde já, a qualificação para a competição (que irá decorrer nos Estados Unidos da América, no Canadá e no México), mas deixou-a escapar, numa partida que ficou marcada pela expulsão de Cristiano Ronaldo, aos 61 minutos, devido a uma agressão a Dara O'Shea.
Na conferência de imprensa que se seguiu ao apito final, o selecionador nacional, Roberto Martínez, fez, no entanto, questão de sair em defesa do capitão: "A primeira razão por que Cristiano recebe o cartão vermelho é porque tem muita paixão e fica frustrado quando não ganha e é isso que queremos de todos os jogadores".
"É muito difícil para um ponta de lança dentro da área, os centrais estarem sempre a agarrarem-no. E depois, um treinador [Heimir Hallgrímsson] tenta pressionar o árbitro, um central que é muito forte, cai no chão com exagero. Acho que as imagens são piores do que aquilo que ele fez", afirmou.
"Foi duro, ele preocupa-se com a equipa, passou muito tempo a ser agarrado, empurrado e quando se tentou afastar do jogador, faz uma ação que acho que não foi tão má como as câmaras fazem parecer. Ontem, o outro selecionador disse que Ronaldo tentava influenciar os árbitros e no final um central grande acabou deitado no chão de forma tão dramática… Agora, queremos ganhar o próximo jogo por Ronaldo", acrescentou.
"Tudo o que podia correr mal, correu mal"
Roberto Martínez passou, de seguida, a explicar as dificuldades sentidas por Portugal perante uma República da Irlanda assente num bloco baixo: "No futebol, o mais difícil é marcar golos. Também jogámos contra a Arménia, uma equipa em bloco baixo, e marcámos cinco golos. Entrámos muito mal no jogo, faltaram Pedro Neto, Nuno Mendes, Bruno Fernandes, com quem já temos padrões trabalhados".
"Deixámos a Irlanda marcar de bola parada e quando a equipa estava a melhorar, dentro de um desempenho mau, sofremos. Faltou clareza com bola, precisão. A Irlanda joga de forma segura e se sofremos um golo, sabíamos que teríamos muitos problemas. Tudo o que podia correr mal, correu mal e tudo o que podia correr bem à Irlanda, correu bem", prosseguiu.
"Na segunda parte, tentámos tudo. A expulsão de Cristiano dificultou o jogo. Vi muita coragem na equipa, mas este é um dia para esquecer (...). É muito importante fazer autocrítica. Acho que hoje era um dia difícil, com muitas emoções, no desejo de querermos o apuramento, contra uma equipa que é muito difícil", completou.
Das substituições à ausência de Raphael Guerreiro, eis as justificações de Roberto Martínez
A terminar, o técnico espanhol justificou as decisões de lançar dois defesas (Renato Veiga e Nélson Semedo, para os lugares de Gonçalo Inácio e João Cancelo), ao intervalo, quando a equipa das quinas já perdia por dois golos de diferença e procurava dar a volta, para carimbar o passaporte para o Mundial'2026.
"Precisamos de tempo para podermos criar uma ligação entre os nossos jogadores. O Cancelo já tinha um cartão amarelo, não queríamos arriscar, e, depois, com o Renato Veiga, já fizemos muitas vezes isso, apostar no aspeto físico de um jogador durante 45 minutos", sublinhou, antes de abordar a ausência de Raphael Guerreiro, apesar da lesão de Nuno Mendes.
"Nós precisamos de procurar soluções para preparar jogos a cada três dias, portanto é utilizar os jogadores polivalentes que temos. Isso não fez parte da derrota, a derrota aconteceu devido a um desempenho que não esteve ao nível do nosso nível normal", rematou.
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