O tiro a Amorim e o cuidado com Cristiano Ronaldo. Bruno Simão conta tudo
Bruno Simão não se afirmou como pretendia em Portugal, mas nada disso o impediu de se cruzar com grandes nomes do futebol nacional (e mundial). Logo na formação, não só dividiu balneário com Ruben Amorim, como também com Cristiano Ronaldo.
O convidado da 7.ª edição da rubrica mensal 'Eu "show" de bola', do Desporto ao Minuto, não hesitou em detalhar episódios vivenciados bem perto de ambas as referências, com quem partilha a mesma idade: 40 anos.
Bruno Simão conheceu Ruben Amorim assim que chegou ao Benfica e, mais tarde, teve o privilégio de jogar ao lado de Cristiano Ronaldo na seleção de Portugal. Ainda assim, foi com o atual treinador do Manchester United que construiu uma intensa amizade que ainda hoje se mantém, ao ponto de escolhê-lo para ser o padrinho da sua filha mais velha. Quanto a CR7, a designação de "fora de série" já lhe assentava desde miúdo.
"Rúben Amorim? Eu disparei, ele caiu e começou a chorar"
Recuando à infância, Bruno Simão foi desafiado a explicar a insólita história do tiro dado a Ruben Amorim, quando uma brincadeira se tornou num valente susto, com marcas que não saíram do corpo do treinador ex-Sporting durante várias anos.
"Tudo aconteceu em casa dos meus pais, quando tínhamos 12 anos, penso eu [risos]. Estávamos sozinhos e, numa maluqueira de miúdos, peguei na carabina de pressão de ar que o meu pai tinha, de ir à caça, a pensar que não tinha chumbo. Cheguei ao pé dele, apontei-lhe e, com alguma distância, disse-lhe para dizer 'Simão, és o meu rei' [risos]. Senão, eu disparava. Ele não queria dizer. Eu disparei, ele caiu e começou a chorar. Gritei 'Levanta-te, deixa de ser maricas, que isso não é nada', até que lhe levantei a camisola e vi que estava a sangrar bem", começou por recordar.
"Ia-me dando um ataque. Entrei em pânico e só lhe disse 'Não chores, não chores. Vou já buscar alguma coisa para te fazer um curativo. Não digas nada ao meu pai, por favor'. Ele ficou com a marca do chumbo durante alguns anos na parte do cóccix. Em ressonâncias magnéticas acusava sempre aquele chumbo. Foi uma parvoíce. Era uma brincadeira, mas o que eu fiz foi estúpido. Éramos miúdos", relatou entre sorrisos.
fBruno Simão e Ruben Amorim conheceram-se no Benfica e ainda se cruzaram no Belenenses antes da aventura no Casa Pia, um como jogador e o outro como treinador.© Reprodução Instagram Bruno Simão
Em tenra idade, Bruno Simão ainda não imaginava que o seu compadre poderia tornar-se um treinador de sucesso, mas quando chegou ao Casa Pia, já depois do traumático acidente de viação sofrido em 2018, tal cenário virou... uma certeza.
"Eu olhei sempre para o Amorim como olho para o meu irmão [David Simão], sem querer puxar a brasa à minha sardinha. Tenho a certeza absoluta que quando ele for treinador, vai ser muito diferente, mas com o power que o Amorim tem. Ambos têm uma cultura de futebol gigantesca. Sabem estar no futebol, sabem o que dizer e são comunicadores natos. O Ruben Amorim já era assim enquanto jogador. Havia quem não gostasse, mas sempre vi uma qualidade muito grande no Amorim. Diziam que ele tapava buracos, mas ele jogava sempre bem nas várias posições e era muito culto", relembrou.
"Vi a forma como ele analisava o futebol, o gosto de ver jogos... Eu sou apaixonado por futebol, mas para praticá-lo. Se me pedirem para estar dias e dias a ver futebol, canso-me. Já o Ruben Amorim, tal como o meu irmão, tem esse gosto. Veem I Liga, II Liga e ainda o futebol no estrangeiro. Em miúdos, não sabia que ele ia ser um grande treinador. Ali, no Casa Pia, eu já tinha essa certeza, pela cultura que ele tem de futebol, que é imensa", acrescentou ainda o antigo defesa-esquerdo.
Cristiano Ronaldo tinha de ir à casa de banho... acompanhado
Desafiado a falar de Cristiano Ronaldo, Bruno Simão referiu os momentos distintos em que jogou com e contra aquele que é o maior goleador da história do futebol, recordando até uma abordagem algo inusitada de Fernando Chalana, antigo jogador e treinador, em torno de CR7.
"Já tínhamos sido colegas de equipa na seleção de Lisboa, com 12 anos. Depois o Cristiano [Ronaldo] mudou-se para Lisboa, como infantil. Foi aí que começámos a ser adversários nos jogos entre Benfica e Sporting. Nos sub-17, da seleção voltámos a ser colegas de equipa. Estive no apuramento para o Europeu, em Andorra, e, depois, estive no Campeonato da Europa, na Dinamarca, onde as coisas não correram bem. Não passámos da fase de grupos. Tive o prazer de ser colega de equipa do Cristiano, nesse Europeu", começou por detalhar, antes de ser questionado se já considerava que dali poderia sair um grande talento.
"Já o achava desde os 12 anos, muito honestamente. Lembro-me perfeitamente quando Fernando Chalana, um treinador muito importante na minha formação enquanto homem, disse a um colega meu de equipa algo como 'Tu hoje não jogas, mas o Cristiano também não joga. Onde o Cristiano for, tu vais atrás dele. Se ele for para a casa de banho, tu vais atrás'. Estamos a falar de alguém com 12 anos, e ele já era efetivamente um fora de série. Era muito pequenino. Por incrível que pareça, chegou a ser praticamente da minha altura, também muito magrinho", recordou Bruno Simão.
Cristiano Ronaldo deu nas vistas por Portugal desde bem cedo, tendo conhecido Bruno Simão em tenra idade, bem antes de chegar à elite da seleção nacional.© Getty Images
O antigo defesa apelidou Cristiano Ronaldo de "fora de série" e até recuperou a altura em que o avançado português garantiu que "iria ser o melhor jogador do mundo".
"Os anos passaram, mas lembro-me de algumas palavras dele num estágio no Jamor, em brincadeira, mas que não era brincadeira. Disse-me mim e ao [José] Semedo, que está com ele no Al Nassr, que iria ser o melhor jogador do mundo, um dia. Tínhamos 17 anos, na altura… A verdade é que o foi, inúmeras vezes. Não foi mais porque não o deixaram. O talento que ele tinha saltava à vista de toda a gente", sublinhou.
"Ele era muito rigoroso. Aliás, continua a sê-lo, com 40 anos. Por isso é que ele conseguiu alcançar tudo aquilo que alcançou. Era muito exigente com ele próprio. Não gostava de perder nem uma brincadeirazinha. Na altura, eu não podia dizer que ele ia ser o melhor do mundo, mas já era um fora de série e não havia jogadores ao nível dele. Isso saltava à vista de qualquer um", rematou Bruno Simão na hora de recordar ambos os craques.
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