O que se sabe sobre "uma das piores tragédias" da Suíça?
Pelo menos 40 pessoas morreram e 115 ficaram feridas na sequência de um incêndio que deflagrou num bar da estância de esqui de Crans-Montana, na Suíça. O incidente é uma das piores tragédias do país e mobilizou ajuda internacional. Eis o que se sabe.
O incêndio deflagrou pelas 1h30 locais (00h30 em Lisboa) de quinta-feira, seguindo-se uma explosão, no bar-discoteca La Constellation, na estância de Crans-Montana. Segundo explicou a procuradora de Valais, Beatrice Pilloud, "o fogo alastrou-se e, à medida que se intensificava, causou uma explosão generalizada".
Até ao momento, segundo as autoridades locais, há registo de 40 mortos e 115 feridos.
"Contamos cerca de 40 mortos e cerca de 115 feridos, a maioria em estado grave", anunciou o chefe da polícia, Frédéric Gisler, durante uma conferência de imprensa em Sion (sudoeste da Suíça), enquanto ao seu lado o presidente da confederação, Guy Parmelin, referia que esta foi "uma das piores tragédias" que a Suíça já conheceu.
O que causou o incêndio?
As causas do incêndio ainda estão a ser investigadas, mas as autoridades suíças já descartaram a possibilidade de ter sido um atentado. "Gostaria de esclarecer que, nesta fase, estamos a tratar isto como um incêndio e que não há qualquer indício de um ataque", afirmou a procuradora de Valais.
Duas mulheres contaram ao canal francês BFMTV que estavam no interior do estabelecimento quando viram um barman a transportar uma barmaid aos ombros enquanto esta segurava uma vela acesa numa garrafa. As chamas propagaram-se, derrubando o teto de madeira, segundo disseram à estação.
As pessoas tentaram desesperadamente escapar da discoteca no subsolo subindo uma escada estreita e passando por uma porta estreita, formando uma multidão, disse uma das mulheres.
Outro jovem que estava no local disse que as pessoas partiram janelas para escapar ao incêndio e que algumas ficaram gravemente feridas, noticiou a BFMTV. Disse ter visto cerca de 20 pessoas a lutar para sair do fumo e das chamas, comparando o sucedido a um filme de terror.
Quem são as vítimas?
Até ao momento, as autoridades suíças não divulgaram a nacionalidade das vítimas mortais nem dos feridos.
A primeira vítima mortal foi identificada como Emanuele Galeppini, um jovem golfista italiano. Num comunicado, a Federação Italiana de Golfe lamentou a perda de um "jovem atleta que personificava a paixão e os valores autênticos".
Contactada pela Lusa na manhã de quinta-feira, fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) afirmou que "até ao momento não há indicação de vítimas portuguesas", mas sublinhou que é necessário esperar, tendo em conta o número de portugueses que vive na Suíça e no Cantão de Valais.
A mesma fonte acrescentou que Portugal está a acompanhar a situação e em contacto com as autoridades suíças e salientou que os contactos de emergência para situações deste género não receberam qualquer pedido.
Em declarações à BBC, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Itália indicou que 16 italianos estão desaparecidos e entre 12 e 15 estão a receber tratamento hospitalar.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros francês afirmou também que oito dos seus cidadãos estão desaparecidos, não descartando a possibilidade de haver franceses entre os mortos. Segundo a imprensa francesa, há pelo menos dois franceses feridos.
Feridos encaminhados para hospitais de vários países. Suíça ativa mecanismo da UE
As vítimas sofreram queimaduras graves e inalação de fumo. Algumas foram levadas de avião para hospitais especializados de todo o país.
Numa publicação, na rede social X, o presidente francês, Emmanuel Macron, revelou que "França está a receber feridos nos seus hospitais e está disponível para prestar toda a assistência necessária".
Je me suis entretenu avec le Président de la Confédération helvétique @ParmelinG pour lui exprimer notre solidarité. Le bilan est terrible. Nos pensées accompagnent les familles.
Nos équipes diplomatiques et consulaires suivent la situation et apportent l’assistance… — Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) January 1, 2026
Além de França, também a Itália e a Alemanha disponibilizaram-se para receber nos seus hospitais alguns dos feridos, que apresentam principalmente queimaduras e que, inicialmente, foram distribuídos em centros hospitalares suíços em Sion, Lausanne, Genebra e Zurique.
As autoridades suíças decidiram, ainda, ativar o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia (UE) após o incêndio. O anúncio foi feito pela comissária europeia de Gestão de Crises, Hadja Lahbib, na rede social X, onde afirmou que "Bruxelas está em contacto com as autoridades helvéticas para prestar assistência médica às vítimas".
My deepest sympathy for the many victims of the explosion in Crans-Montana, their relatives and all the rescuers involved.
🇨🇭 activated the EU Civil Protection Mechanism. We are liaising with Swiss authorities to provide medical assistance to the victims. — Hadja Lahbib (@hadjalahbib) January 1, 2026
Também a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, referiu estar "profundamente entristecida" com o ocorrido e comentou que "a Europa solidariza-se plenamente com a Suíça".
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