"O Governo autoexcluiu-se dos direitos daqueles que criam a riqueza"
"O Governo autoexcluiu-se dos direitos daqueles que criam a riqueza e, portanto, é preciso uma grande lata para vir um membro do Governo, seja ele quem for, seja a ministra do Trabalho, seja o primeiro-ministro, afirmar que houve quem se retirasse das soluções", disse Paulo Raimundo durante a manifestação convocada pela CGTP contra o pacote laboral em Lisboa, em resposta à ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, que acusou a CGTP de ter abandonado as negociações.
"Quem se retirou das soluções foi o Governo", adiantou o líder do PCP, comentando as declarações da ministra do Trabalho, que afirmou também hoje que a CGTP se "auto afastou" das negociações da reforma laboral.
O secretário-geral do PCP acusou ainda o Governo de estar a "empurrar para a frente" a discussão do pacote laboral e de tentar "desviar as atenções".
"É uma manobra, compreendemos a tática, mas não a aceitamos. E, portanto, há aqui mais uma demonstração clara de rejeição do pacote laboral e é preciso que o Governo só faça uma coisa para o Governo. É aceitar a derrota que teve e retirar o pacote laboral e abrir aquilo que é necessário", acrescentou.
Paulo Raimundo aproveitou ainda para frisar que o candidato presidencial António Filipe, apoiado pelo PCP, tem "uma ligação profunda" aos trabalhadores que se juntaram em rejeição ao pacote laboral.
"[Tem uma] ligação profunda a quem trabalha, a quem põe o país a funcionar, à juventude, em particular aos jovens trabalhadores, a esta gente que cria as condições de que o país ande para a frente. Há uma ligação muito profunda", sublinhou.
A CGTP e a UGT realizaram em 11 de dezembro de 2025 uma greve geral contra a proposta do Governo, a quinta a juntar as duas centrais sindicais, e o que não acontecia desde a paralisação conjunta de 27 de junho de 2013.
Desde que o anteprojeto foi apresentado, em 24 de julho de 2025, a CGTP tem realizado várias ações de luta para exigir a retirada da proposta.
A ministra do Trabalho tem vindo a reiterar que a CGTP se tem colocado à margem das negociações, enquanto a central sindical rejeita as críticas, indicando que o Governo não acolheu nenhuma das suas propostas e "bloqueou" a discussão.
A proposta, designada "Trabalho XXI", apresentada pelo Governo, já mereceu o 'rotundo não' das centrais sindicais, que argumentam que é "um ataque" aos direitos dos trabalhadores.
Por outro lado, as confederações empresariais aplaudiram a reforma, ainda que digam que há espaço para melhorias.
As medidas desta proposta visam desde a área da parentalidade, passando pelos despedimentos, e até ao alargamento dos prazos dos contratos ou dos setores que passam a estar abrangidos por serviços mínimos em caso de greve.
[Notícia atualizada às 16h42]
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