Não há "caos" no SNS? Esquerda acusa Montenegro de estar "desligado"
Foi na inauguração da sede da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que o primeiro-ministro proferiu palavras polémicas… pelo menos, para a Esquerda e para vários candidatos às Presidenciais.
Segundo Luís Montenegro "há uma perceção de caos" na Saúde que "não é realidade".
"Nós somos todos os dias confrontados com uma perceção de caos, de crise, de problema permanente. Eu não quero, com isto, diminuir os casos na base dos quais esta perceção é criada. O que eu tenho a obrigação, em nome também dos prestadores de serviços, dos profissionais, é dizer que, felizmente para todos nós, isso não é a realidade que os tais mais de 150 mil atos diários dos profissionais do SNS enfrentam todos os dias", afirmou.
Montenegro? Está "Desligado do país" e "apostado em desmantelar o SNS"
Em resposta às declarações do primeiro-ministro, várias personalidades da Esquerda se insurgiram: de líderes partidários a candidatos à Presidência.
Do lado da bancada socialista, José Luís Carneiro considerou que Luís Montenegro está "completamente desligado do país" e "descolado da realidade".
"Quando o primeiro-ministro diz que não há problemas na saúde, isto só pode ser justificado com uma insensibilidade e com o facto de alguém ter descolado da realidade já há muito tempo", defendeu em Fafe, no distrito de Braga, à margem de uma sessão do Parlamento dos Jovens organizada por uma escola profissional local.
Já do lado do PCP, Paulo Raimundo defendeu que a declaração do chefe do Governo vem em linha com um Executivo "apostado em desmantelar o SNS e em fazer da Saúde um grande negócio para um conjunto pequeno de grupos privados".
"E, portanto, introduz nesta discussão a ilusão, a propaganda, a roçar a mentira", acusou o comunista, em declarações à agência Lusa.
Portugueses estão "desesperados" com situação na Saúde
Por sua vez, o candidato apoiado por este partido às eleições presidenciais, António Filipe, não se desviou muito desta mesma visão.
"O primeiro-ministro terá declarado que não existe nenhum caos na saúde, o que há é uma perceção de caos na saúde. Bom, eu pergunto: se vemos pessoas a morrer por falta de assistência, por atrasos numa ambulância que não chega, isto é uma perceção ou é uma realidade? Essas pessoas terem morrido não é uma perceção", afirmou António Filipe durante um discurso com apoiantes em Campo Maior, Portalegre.
O seu adversário apoiado pelo PS, António José Seguro, também discorda taxativamente da posição do primeiro-ministro respondendo simplesmente: "Eu discordo do que diz respeito à situação, porque infelizmente os portugueses não têm saúde a tempo e horas e a minha preocupação não é com as palavras, é com as ações".
No final da campanha em Vila Real, Seguro aproveitou ainda para reforçar uma das bandeiras da sua candidatura - a Saúde - reforçando: "As situações que os portugueses estão a passar neste momento são indescritíveis, indignam-me, revoltam-me, já disse isso várias vezes e, portanto, estou ansioso se os portugueses me deem a sua confiança para tomar posse e começar de imediato a trabalhar num pacto para a Saúde".
Enquanto isso, Jorge Pinto, o candidato apoiado pelo Livre - não se desviando da posição da Esquerda - defendeu que "o caos existe", notando os casos de pessoas que morreram à espera de ambulâncias, e que a desvalorização de Montenegro não faz parte da solução e, aliás, "é também parte do problema".
"Os portugueses estão desesperados por não saberem que têm no Governo alguém que vá defender o SNS e, precisamente por isso, é que um Presidente da República deve dizer que o SNS vai ser defendido, custe o que custar, porque é isso que está em causa", considerou à margem de uma ação de campanha na Comunidade Energética de Telheiras, em Lisboa.
Durante o discurso na nova sede da Direção Executiva do SNS, Luís Montenegro defendeu que os tempos de espera nas urgências "são os melhores dos últimos cinco anos" e que a ministra da Saúde, Ana Paula Martins "tem evidenciado um nível de competência e de resistência notáveis".
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