"Não é por dois segundos". Francisco Moura gera desafio para Farioli
Francisco Moura saberá lidar com o mau momento vivido no Clássico, frente ao Sporting, e dar a volta por cima, confirmando ser um jogador à altura de representar o FC Porto. É nisso que acredita Rui Santos, antigo treinador e coordenador do lateral esquerdo português, na formação do Sp. Braga.
Moura ficou diretamente ligado ao lance que permitiu aos leões empatar na visita ao Estádio do Dragão, cometendo uma grande penalidade, já em período de descontos, que Luis Suárez converteu (já na recarga, após defesa de Diogo Costa), mas Rui Santos tem a certeza de que o jogador de 26 anos tem todas as ferramentas para dar uma boa resposta, desafiando, ainda, Francesco Farioli em devolver-lhe a titularidade na visita ao Nacional, agendada para domingo.
"O Francisco é um atleta - e miúdo, porque trabalhei com ele quando tinha 16 ou 17 anos - e é um campeão, porque nunca vira a cara à luta. É inteligente e vai ultrapassar, de certeza absoluta, este momento menos bom. Só quem não está lá dentro é que não comete erros. Os verdadeiros campeões são aqueles que caem e levantam-se as vezes que forem necessárias", começa por Rui Santos, atualmente aos comandos da equipa de sub-21 do Al Ahli, em declarações ao Desporto ao Minuto.
Medida drástica nas redes sociais
Francisco Moura ficou desolado assim que Luís Godinho apitou para o final do Clássico, e depressa foi confortado pelos colegas de equipa. Os adeptos do FC Porto não tiveram a mesma reação e 'invadiram' as suas redes sociais com comentários negativos, levando o jogador a desativar essa funcionalidade.
Rui Santos alerta que esta é uma realidade recorrente no mundo do futebol e que por vezes os jogadores precisam de se distanciar do mundo virtual para poderem dar a melhor resposta dentro de campo.
"Muitas vezes, os jogadores, e até os treinadores, têm de se abstrair das redes sociais, porque podem ser ingratas. Há uma linha muito ténue entre o sucesso e o insucesso", frisa, antes de recordar o rendimento de Francisco Moura na temporada transata.
"O Francisco Moura fez, na época passada, 46 jogos, quatro golos e 10 assistências pelo FC Porto. Para mim, é um dos melhores laterais esquerdos de Portugal - o principal é o Nuno Mendes, mas a seguir vem o Francisco Moura. Com a performance que ele teve na época passada, as pessoas esquecem-se rapidamente do que ele fez em prol do FC Porto e julgam-no por este momento menos bom. A sociedade, muitas das vezes, é sarcástica, porque podemos ter 89 minutos bons e um mau, mas é esse minuto mau que vai perdurar na cabeça de muitos adeptos", lamenta.
Ainda assim, Rui Santos volta a apontar para a inteligência de Francisco Moura na hora de lidar com as críticas.
"Sabe o caminho que há de percorrer. Ele quer tirar essas pedras do caminho, nomeadamente, nas redes sociais, e esses sentimentos negativos. Vai saber seguir em frente com toda a inteligência dele e com toda a vontade. De certeza que ele, nesta semana de treinos, vai dar o seu melhor e vai ultrapassar com facilidade este momento. Desativar [os comentários nas redes sociais] foi um ato de inteligência. Podemos escolher as coisas tóxicas que queremos ter. Ele decidiu assim pelo bem da sua performance e da sua pessoa", disse o antigo coordenador da formação do Sp. Braga.
Francisco Moura contabiliza 68 jogos com a camisola do FC Porto, distribuídos por duas épocas, tendo marcado sete golos e feito 13 assistências.
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Melhor remédio é titularidade na Madeira
O FC Porto está agora a preparar a visita ao Nacional, em jogo relativo à 22.ª jornada da I Liga, com várias baixas, entre as quais os defesas Martim Fernandes e Jakub Kiwior. Rui Santos não tem dúvidas: Francisco Moura deve ser titular na Madeira.
"Eu colocá-lo-ia já no próximo jogo. Apostava nele, porque na época passada teve um rendimento muito consistente e sólido. Não é por dois segundos de infortúnio que a vida ou a carreira de um jogador vai ser julgada", afirma, remetendo para aquilo que acontece aos jogadores que falham grandes penalidades.
"Muitas das vezes um jogador falha um penálti e, na semana seguinte, está outra vez na marca dos 11 metros para converter. Não só por palavras, mas também por atos, por que não apostar nele já no próximo jogo, dando um sinal de confiança para um jogador que já deu tanto em prol do clube?", questiona.
Evolução do miúdo de Braga
Natural de Braga, Francisco Moura chegou ao Sporting de Braga em 2011 para integrar a equipa de sub-13. Ano após ano, foi-se afirmando como um dos melhores produtos da formação arsenalista, e a chegada à equipa principal, na época 2018/19, foi apenas uma consequência natural do seu trabalho.
Extremo de origem, Moura acabou convertido num lateral e até mereceu uma conversa com Rui Santos, que o alertou para o facto de ter de aprender a defender para se tornar num jogador completo. Ora, cerca de 10 anos depois, o treinador português de 49 anos mostra-se rendido à evolução de um "miúdo" que tão bem conhece.
"Em termos defensivos, não tem ficado aquém dos outros laterais da I Liga. Inevitavelmente tem um handicap, que é a participação no último terço. Fazendo 10 assistências e quatro golos, obviamente que ele não é um jogador defensivo. É um lateral esquerdo moderno, da atualidade, que faz o corredor todo. É muito bom em termos ofensivos, mas não descura nas situações defensivas", destaca, desvalorizando o lance que originou a grande penalidade a favor do Sporting no Clássico da última segunda-feira.
"Foi um infortúnio o braço dele não estar junto ao corpo, num cruzamento à queima-roupa. Todos nós cometemos esses infortúnios. É uma pessoa de grandes valores e vai superar este momento", remata.
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