MSF suspendem parte das operações hospitalares em Gaza por intimidações

Fevereiro 14, 2026 - 17:00
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MSF suspendem parte das operações hospitalares em Gaza por intimidações

Num comunicado publicado no portal da organização humanitária, os MSF informaram que todas as atividades médicas não críticas no Hospital Nasser foram suspensas devido a "falhas de segurança", referindo que a presença de homens armados representam "ameaças graves à segurança das equipas médicas e dos doentes".

 

O Hospital Nasser, na cidade de Khan Younis, é um dos poucos ainda operacionais no enclave. Centenas de doentes e feridos de guerra foram ali tratados, e a unidade serviu também de ponto de acolhimento para prisioneiros palestinianos libertados por Israel em troca de reféns israelitas, no âmbito do acordo de cessar-fogo.

Os MSF explicaram que tomaram a "difícil decisão" após um aumento de relatos de doentes e funcionários que avistaram homens armados em áreas do complexo hospitalar desde a entrada em vigor do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, em outubro. 

"As equipas dos MSF relataram um padrão de atos inaceitáveis, incluindo a presença de homens armados, intimidação, detenções arbitrárias de doentes e uma situação recente de suspeita de movimentação de armas", refere o comunicado.

Por esclarecer está quem são os homens armados, pois os MSF afirmaram não estarem em condições de o especificar.

Os grupos armados multiplicaram-se em Gaza na sequência da guerra, incluindo vários apoiados pelo exército israelita na parte do enclave sob controlo de Israel.

Funcionários do Hospital Nasser afirmam que, nos últimos meses, a unidade foi repetidamente atacada por membros de tribos armadas e milícias, apesar da presença policial no local.

A organização indicou ter manifestado preocupação junto das autoridades competentes, sublinhando que os hospitais devem permanecer espaços civis e neutros.

Os MSF acrescentaram que as suas preocupações foram também agravadas por anteriores ataques deliberados de Israel contra instalações de saúde durante o conflito.

Ao longo da guerra, Israel atacou hospitais em diversas ocasiões, incluindo o Hospital Nasser, acusando o Hamas de operar no seu interior ou nas imediações. Elementos de segurança do Hamas foram igualmente vistos com frequência dentro de hospitais, bloqueando o acesso a determinadas áreas.

Alguns dos reféns libertados de Gaza afirmaram ter permanecido em hospitais durante o período de cativeiro.

O Ministério do Interior controlado pelo Hamas, que supervisiona a força policial em Gaza, anunciou hoje que a polícia será destacada para garantir a segurança dos hospitais e eliminar a presença de homens armados, indicando que instaurará processos judiciais contra os infratores e que está a implementar medidas mais rigorosas para assegurar a segurança dos doentes.

Embora o direito internacional confira aos hospitais proteção especial em tempo de guerra, estas unidades podem perder essa imunidade se combatentes as utilizarem para esconder combatentes ou armazenar armas, segundo o Comité Internacional da Cruz Vermelha. 

Ainda assim, deve haver aviso prévio suficiente que permita a evacuação de profissionais de saúde e doentes antes de qualquer operação. Se os danos causados a civis por um ataque forem desproporcionais face ao objetivo militar, tal constitui uma violação do direito internacional.

Organizações humanitárias e de defesa dos direitos humanos afirmam que Israel devastou o sistema de saúde de Gaza, forçando o encerramento da maioria dos hospitais e causando graves danos a outros. Durante o conflito, as forças israelitas realizaram incursões em vários hospitais e atacaram outros, detendo centenas de profissionais de saúde.

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