MP francês pede 30 anos para mãe acusada de envenenamento das filhas
"Os atos são particularmente graves e foram cometidos primeiro contra Enea [de 18 anos, que morreu em novembro de 2019 de overdose de medicamentos] e depois contra a sua irmã Luan", afirmou o procurador Marc Bourragué.
Segundo o procurador, "nada sustenta" a teoria do suicídio da filha mais velha, Enea, apresentada pela arguida, que mantém a sua inocência. A jovem de 18 anos morreu seis dias depois de ter sofrido uma convulsão a 13 de novembro de 2019, na casa da família em Dax, no sudoeste de França.
Bourragué citou a circunstância agravante de envenenamentos "cometidos contra indivíduos em estado de dependência psicológica ou física conhecida pelo autor, neste caso, por submissão química", e requereu um período mínimo de segurança de 15 anos de prisão.
No entanto, não pediu prisão perpétua para a arguida, após quase duas horas de alegações finais, explicando que estava a ter em conta a segunda filha, Luan, agora com 22 anos.
Yannick Reverdy, antigo jogador de andebol da seleção francesa, divorciou-se de Maylis Daubon em 2009, que o acusou de violência, tendo posteriormente perdido o contacto com as filhas.
Enea, que estava fora da escola há mais de um ano e sofria de problemas psicológicos, tomava propranolol, um betabloqueante que diminui a atividade cardíaca, numa dose "dez vezes superior à terapêutica", segundo a investigação.
Uma busca à casa revelou comprimidos de propranolol no quarto da mãe, escondidos numa embalagem de supositório, assim como no armário de porcelana da sala de estar.
"As acusações acumuladas contra Maylis Daubon são extremamente graves, variando desde exames toxicológicos a uma infinidade de mentiras", resumiu o procurador.
"Sou acusada de atos horríveis" que "nada no mundo me poderia ter levado a cometer", insistiu Maylis Daubon durante o seu julgamento, no qual o seu "teatralismo", "vitimização" e "mentira patológica" foram destacados em tribunal.
Em relação à filha mais nova, Luan, cujos exames revelaram uma ingestão significativa de um antidepressivo destinado a adultos, o magistrado descreveu "exatamente o mesmo padrão. Há uma semelhança nos métodos utilizados; isso é prova de envenenamento".
Além de envenenar Enea e Luan, Maylis Daubon é também suspeita de ter planeado o homicídio do ex-marido, subornando outras reclusas na prisão de Pau (sudoeste de França).
Após as alegações finais da defesa, o júri e os juízes reunir-se-ão para deliberar. Espera-se que o veredicto seja anunciado ainda hoje.
Leia Também: Greve em França contra austeridade enquanto se debate lei de orçamento
Qual é a sua reação?
Gosto
0
Não gosto
0
Amor
0
Engraçado
0
Zangado
0
Triste
0
Wow
0