Morte de grávida no SNS? "Responsável será sempre o primeiro-ministro"
O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, voltou a comentar hoje o caos que se vive no Serviço Nacional de Saúde (SNS), no dia em que se soube que uma grávida morreu depois de ter sido mandada para casa após uma ida às urgências do Hospital Prof. Dr Fernando Fonseca, na Amadora.
"Esta tragédia faz parte de um conjunto de falhas muito graves", começou por afirmar o socialista, referindo que "o primeiro responsável será sempre o primeiro-ministro".
José Luís Carneiro recusou-se a colocar as culpas na ministra da Saúde, e reforçou que "a primeira e última responsabilidade será sempre do primeiro-ministro", dado que é o "responsável pela composição do Governo" e por "não corresponder às promessas" que fez.
O socialista acusa, ainda, Luís Montenegro de ter feito promessas mas não ter cumprido as mesmas e lembrou que a solução para o Serviço Nacional de Saúde não pode ser feita com "soluções aleatórias" feitas "em cima do joelho".
Carneiro recusou aproveitar a tragédia da morte desta grávida para "fins político-partidários", mas exigiu o apuramento de "todas as responsabilidades", considerando o primeiro-ministro responsável pelo "falhanço clamoroso" na saúde.
"Contrariamente a outros, nós não aproveitamos a tragédia para fins político-partidários. No entanto, todas as responsabilidades devem ser apuradas e a primeira e mais importante responsabilidade é a do primeiro-ministro, por uma razão, porque foi ele que prometeu soluções e, portanto, é ele que tem que prestar contas, tem que dar conta da sua responsabilidade, da forma como a está a exercer", acusou, à margem de uma visita a um festival de banda desenhada, na Amadora.
Na perspetiva do líder do PS, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, confirmou na véspera tudo o que o PS tem vindo a dizer sobre saúde.
"É o reconhecimento do falhanço clamoroso do Governo numa área vital para a qual prometeu soluções", sustestou.
Carneiro chamou ainda a atenção para uma parte do discurso feito na quinta-feira por Marcelo Rebelo de Sousa sobre saúde.
"O Presidente da República disse que não se conseguem solucionar questões desta natureza de forma aleatória e sem planeamento. Ora, quem é que tem estado a procurar responder de forma aleatória e sem planeamento? O Governo", criticou.
Esta semana, José Luís Carneiro já tinha desafiado Luís Montenegro a demitir a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, por considerar que estava sem autoridade política.
Grávida morre após ir ao Amadora-Sintra e ser mandada para casa
Uma grávida de 37 anos morreu durante a madrugada de hoje no Hospital Fernando da Fonseca, conhecido como Amadora-Sintra, depois de ter sido mandada para casa horas antes.
A mulher, de nacionalidade estrangeira, estaria grávida de 38 semanas. Durante a tarde de ontem dirigiu-se ao hospital, devido a um episódio de hipertensão, mas foi mandada para casa com consulta marcada.
Horas depois, voltou a entrar na urgência do Amadora-Sintra, mas já em paragem cardiorrespiratória.
Os médicos não conseguiram reverter a situação e o óbito foi declarado ainda na urgência, por volta das 2 horas da madrugada desta sexta-feira.
O bebé sobreviveu, mas encontra-se em estado grave.
A Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra abriu um inquérito interno às circunstâncias da morte. Segundo a instituição, foi aberto "um inquérito interno para apurar todas as circunstâncias associadas ao ocorrido".
A Unidade Local de Saúde Amadora/Sintra "lamenta profundamente" o falecimento da utente e endereçou condolências à família.
[Notícia atualizada às 13h22]
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