Mísseis da Coreia do Norte põem em causa possível encontro Trump/Jong-Un
O Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul indicou que os projéteis foram disparados a partir de uma zona a sul da capital norte-coreana Pyongyang, percorrendo cerca de 350 quilómetros antes de caírem no mar.
Trata-se do primeiro lançamento desde que o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, tomou posse em junho.
Fontes citadas pela agência de notícias sul-coreana Yonhap consideram que o ensaio pode estar ligado à visita de Trump, marcada para 29 de outubro, uma vez que Pyongyang tem por hábito realizar testes de armamento antes ou durante deslocações de líderes internacionais a Seul.
A investigadora do Centro Europeu para Estudos da Coreia do Norte, Gabriela Bernal, afirmou à agência EFE que o lançamento serve como demonstração de "força e resistência" face à pressão dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, e recordou que ocorre pouco antes de uma possível reunião entre Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, à margem da cimeira de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (sigla APEC em inglês).
Trump manifestou recentemente vontade de se reunir novamente com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, "ainda este ano", retomando o diálogo iniciado durante o seu primeiro mandato.
O líder norte-coreano afirmou em setembro ter "boas memórias" das anteriores cimeiras e admitiu abertura para um novo encontro, desde que Washington abandone o "delírio da desnuclearização".
Observadores em Seul citados pela imprensa sul-coreana alertaram que a aldeia de Panmunjom, na Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias, local do histórico encontro entre Trump e Kim em 2019, foi encerrada ao público, alimentando especulações sobre possíveis contactos entre ambos.
No entanto, Gabriela Bernal considera improvável uma nova cimeira a curto prazo, devido à ausência de negociações preparatórias e à falta de uma agenda clara entre Washington e Pyongyang.
O governo norte-americano reiterou estar aberto ao diálogo "sem pré-condições", mas recusou abdicar da questão das armas nucleares.
A Coreia do Norte, sob sanções das Nações Unidas, exibiu este mês o que classificou como o seu "míssil intercontinental mais poderoso", o Hwasong-20, e tem reforçado laços diplomáticos com a China e a Rússia, consolidando a sua posição internacional.
O regime norte-coreano tem dado sinais de abertura a novas negociações com os Estados Unidos.
Kim Jong-un reuniu-se três vezes com Trump durante o primeiro mandato do presidente norte-americano, antes de as conversações colapsarem no Vietnam, em 2019, devido à falta de acordo sobre as concessões nucleares de Pyongyang.
Em setembro, Kim afirmou guardar "boas recordações" destes encontros e manifestou disponibilidade para mais diálogo.
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