Ministra do Trabalho não parece propensa a "um acordo" no pacote laboral

Janeiro 22, 2026 - 20:00
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Ministra do Trabalho não parece propensa a "um acordo" no pacote laboral

"Ontem [quarta-feira] as declarações da ministra do Trabalho [sobre a legislação laboral] não foram muito tendentes a um percurso para alcançar um acordo que seja adequado aos interesses das partes. Mas vamos aguardar por desenvolvimentos", afirmou José Luís Carneiro em declarações aos jornalistas em Bruxelas.

 

O secretário-geral do PS reagia às declarações da ministra do Trabalho esta quarta-feira, numa audição parlamentar, em que disse que o Governo "não vai eternizar" a discussão sobre a legislação laboral na Concertação Social, pelo que, "se essa dinâmica não se revelar frutífera", irá apresentar a proposta à Assembleia da República, e reiterou que não tenciona ceder nos "pontos fundamentais".

Questionado se o PS admite apresentar alguma proposta sobre esta matéria, depois de o primeiro-ministro ter manifestado abertura para "receber propostas e contributos", José Luís Carneiro pediu para que não se "esvazie o trabalho que tem de ser feito em sede de concertação social".

"Essa concertação social tem de ser feita com o representante dos trabalhadores, com o representante das empresas e não me quero substituir àqueles que têm esse dever de representar os diferentes interesses em sede de concertação social", afirmou.

Sobre se admite que o PS mude de posição sobre esta matéria caso o Governo chegue a um acordo com a UGT, José Luís Carneiro disse que não se queria expressar mais sobre o assunto, porque as "matérias que estão em discussão na Europa são de tal maneira importantes" que não tencionava falar sobre outro tema.

Nestas declarações aos jornalistas, o secretário-geral do PS foi ainda questionado sobre o motivo para não ter interpelado o primeiro-ministro, no debate quinzenal na Assembleia da República, sobre o facto de não ter declarado apoio a ninguém na segunda volta das eleições presidenciais.

Carneiro disse que já se pronunciou sobre o tema esta segunda-feira, quando desafiou Luís Montenegro a ser mais claro de que lado está sobre as presidenciais, recusando a fazer mais qualquer comentário sobre o assunto.

Perante a insistência dos jornalistas sobre se Montenegro não devia ser mais claro tendo em conta que "um dirigente de direita radical" pode ser eleito Presidente da República, Carneiro disse que todos sabem o que defendeu "caso tivesse sido o doutor Marques Mendes e o doutor André Ventura a passar à segunda volta".

José Luís Carneiro disse ainda que sabe em que votou, em quem vai votar e "quem é que o PS apoia de forma inequívoca".

"E, neste momento, pelo país todo, devem estar os nossos autarcas, dirigentes, todos a realizarem o trabalho que têm de realizar. Como é evidente, o objetivo é um, mas é evidente que a candidatura de António José Seguro é abrangente, suprapartidária e que está para além do espaço partidário", disse.

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