Milhares de húngaros juntaram-se em Budapeste para apoiar Órban

Outubro 23, 2025 - 14:00
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Milhares de húngaros juntaram-se em Budapeste para apoiar Órban

A manifestação, apelidada de "Marcha pela paz" pelos organizadores, aconteceu hoje por ser feriado nacional, dia em que se assinala a revolta antissoviética falhada de 1956.

 

Também hoje na capital húngara estão previstas marchas convocadas pelas forças da oposição.

Durante a "Marcha pela paz", manifestantes gritaram palavras de apoio a Orbán e entoaram avisos de que a Hungria corre o risco de se envolver diretamente na guerra da Rússia na Ucrânia.

Na frente da marcha, era visível uma grande faixa com a frase "Não queremos morrer pela Ucrânia", segundo relataram as agências internacionais.

Uma das manifestantes, Babett Lugosi, disse, em declarações à agência noticiosa Associated Press (AP), acreditar que "a consciência nacional e o cristianismo" estão em perigo e que Orbán é o único político na Hungria capaz de defender os interesses do país contra ameaças externas.

"É muito importante que a Europa e a Hungria preservem a sua estabilidade e estou convencida de que estamos a ser ameaçados de várias direções e temos de mostrar que somos um país soberano", defendeu.

Orbán, considerado o aliado mais próximo do Presidente russo, Vladimir Putin, na União Europeia (UE), tem-se manifestado consistentemente contra o apoio ocidental à vizinha Ucrânia desde o início da guerra, em fevereiro de 2022.

Ao contrário de quase todos os outros líderes da UE, mantém relações calorosas com o Kremlin, ao mesmo tempo que assumiu uma postura combativa em relação a Kiev.

O primeiro-ministro húngaro defendeu um cessar-fogo imediato no conflito, embora não tenha abordado o que isso poderia implicar para a integridade territorial da Ucrânia ou para a segurança europeia no meio da contínua agressão russa.

Orbán deverá discursar aos seus apoiantes no final da marcha estando programada para mais tarde um outra manifestação, desta vez a favor do seu principal adversário político, Péter Magyar.

Os apoiantes deste opositor deverão reunir-se no centro de Budapeste para um protesto antigovernamental e uma demonstração de força em apoio de Magyar e do seu partido de centro-direita, Tisza.

As marchas estão a ser vistas como um termómetro para saber qual o político que tem mais apoiantes na sua campanha, numa altura em que faltam seis meses para as legislativas.

Orbán, no poder desde 2010, está atrás de Magyar nas sondagens pelo que procura revigorar a sua base de apoio.

No entanto, o clima político na Hungria tem dificultado, nos últimos meses, a tarefa já que a inflação persistente, a economia estagnada e as alegações cada vez mais evidentes de corrupção governamental têm atormentado o Governo de Orbán e levado a uma popularidade crescente do partido de Magyar.

Magyar, um advogado de 44 anos e antigo membro do partido Fidesz de Orbán, concentrou a sua campanha nas zonas rurais, tradicionalmente um bloco eleitoral fiel ao Fidesz.

O candidato terminou recentemente uma viagem de 80 dias pelo país, onde realizou dezenas de fóruns, discursando e respondendo a perguntas dos participantes.

Na manhã de hoje, dezenas de autocarros utilizados para transportar participantes de toda a Hungria e de países vizinhos estavam estacionados perto da rota da marcha pró-Governo.

Um dos manifestantes, Sándor Kerekes, disse ter partido da cidade de Fantanele, na região da Transilvânia, na Roménia, de propósito para assistir ao evento.

"É importante para nós sentir que podemos encontrar-nos com pessoas que pensam como nós", explicou, acrescentando que esperava que a mensagem mais importante do discurso de Orbán fosse "união, paz e harmonia para todas as nações".

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