"Mentiu". Moedas 'sob fogo' por declarações "falsas" sobre Jorge Coelho
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, está a ser alvo de críticas por recusar demitir-se na sequência do descarrilamento do Elevador da Glória e rejeitar comparações com o socialista Jorge Coelho, que se demitiu do cargo de ministro do Equipamento Social após a queda da ponte de Entre-os-Rios, em 2021.
Em entrevista à SIC Notícias, Moedas chegou mesmo a afirmar que os dois casos não são comparáveis porque o gabinete do socialista Jorge Coelho tinha recebido informações que apontavam para a fragilidade da ponte ainda antes do acidente, enquanto no caso dele, pelo contrário, não recebeu qualquer sinal nesse sentido em relação ao Elevador da Glória.
"Responsabilidade política é quando o político sabe e não atua", justificou o presidente da Câmara de Lisboa.
Ora, segundo explica o Polígrafo, a declaração de Moedas "não é verdade" e o antigo ministro socialista "não tinha conhecimento de qualquer problema estrutural da ponte de Entre–os-Rios", sabendo apenas que a ponte tinha "danos no pavimento".
Jorge Coelho, recorde-se, demitiu-se na madrugada de 4 de março de 2001, poucas horas após o colapso da Ponte Hintze Ribeiro, que vitimou 59 pessoas, sendo substituído por Eduardo Ferro Rodrigues.
Ferro Rodrigues diz-se "indignado" com "mentiras de Carlos Moedas"
Um dos primeiros críticos de Carlos Moedas foi precisamente Ferro Rodrigues, também antigo secretário-geral do PS.
"Como amigo e sucessor de Jorge Coelho no Ministério do Equipamento Social manifesto a minha indignação pelas mentiras de Carlos Moedas", declarou Ferro Rodrigues à agência Lusa.
De acordo com Ferro Rodrigues, "Jorge Coelho não tinha qualquer informação de que pudesse acontecer o que se passou" e Carlos Moedas "mentiu".
"Caso contrário, obviamente, tinha proibido o acesso à ponte naquela terrível tempestade", completou, antes de deixar uma advertência.
Também o atual secretário-geral dos socialistas, José Luís Carneiro, lamentou que Carlos Moedas tenha "ousado ofender a memória de Jorge Coelho", considerando que é algo que "nenhuma circunstância política pode justificar".
Chega (também) critica Moedas por declarações "absolutamente falsas"
Pelo Chega, André Ventura acusou Moedas de fazer declarações "absolutamente falsas" sobre a demissão do ministro Jorge Coelho.
"Jorge Coelho demitiu-se na noite em que caiu a ponte Entre-os-Rios, com todas aquelas vítimas mortais. Carlos Moedas andou à fuga a ver onde é que se podia esconder naquela noite. Essa faz a diferença entre políticos, há os que dão a cara, os que não se escondem, e há os que estão sempre à procura de um beco para se poder esconder da responsabilidade", defendeu.
Ainda assim, Ventura não pediu diretamente a demissão de Carlos Moedas, dizendo que essa é uma matéria para os autarcas do Chega, e lembrou que os deputados do partido na Assembleia Municipal de Lisboa vão apresentar na terça-feira uma moção de censura ao executivo da capital.
Polémica à parte, Câmara já aprovou apoio às vítimas, memorial e comissão
A Câmara de Lisboa aprovou as propostas da liderança PSD/CDS-PP, do PS e do PCP quanto a medidas em resposta ao acidente, desde o apoio às vítimas à criação de um portal da transparência.
As propostas foram aprovadas de forma "quase unânime ou unânime em muitos casos" na reunião extraordinária da câmara, indicou o vice-presidente da autarquia, Filipe Anacoreta Correia (CDS-PP), referindo que houve um esforço de consensualização dos três documentos num único, mas não foi possível, tendo o executivo votado cada um deles.
Recorde-se que o Elevador da Glória, localizado no centro de Lisboa, descarrilou pelas 18h04 de quarta-feira, na Calçada da Glória. O acidente provocou 16 vítimas mortais e mais de 20 feridos.
Na sexta-feira, a Polícia Judiciária (PJ) revelou que "estão confirmadas as nacionalidades das 16 vítimas mortais" do acidente, que foram "identificadas cientificamente, com a colaboração do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses".
Assim, entre as vítimas mortais estão cinco portugueses, dois sul-coreanos, um suíço, três britânicos, dois canadianos, um ucraniano, um norte-americano e um francês.
[Notícia atualizada às 19h57]
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