Mendes diz ser cedo para "catalogar intervenção dos EUA" na Venezuela
Em declarações aos jornalistas no final de uma ação de pré-campanha no mercado de Benfica, em Lisboa, o candidato apoiado por PSD e CDS-PP disse estar a acompanhar a situação na Venezuela há algumas horas "com atenção e preocupação".
"A primeira palavra é, de facto, de preocupação e tem a ver com a comunidade portuguesa, que é uma comunidade muito grande, 300 mil ou mais cidadãos portugueses. Neste momento, todas as informações que consegui obter é que a comunidade está bem, está tranquila, está serena", disse.
Questionado sobre a natureza da intervenção dos Estados Unidos neste país, Luís Marques Mendes remeteu uma posição para mais tarde.
"Ainda há pouca informação, é muito cedo para estabelecer uma conclusão e um catálogo sobre a natureza da intervenção americana. Haverá um momento para o fazer, neste momento os dados que existem são ainda muito incertos, haverá uma posição americana, ao que sei, por volta das 16:00 horas de Portugal, e eu julgo que há que aguardar esse momento para catalogar a situação", disse.
Ainda assim, o candidato admitiu que "é mais ou menos óbvio que esta intervenção não segue o direito internacional".
"Não vale a pena negar as evidências, não segue o Direito Internacional. Eu já disse que prefiro mudanças pela via pacífica do que pela via violenta, mas os Estados Unidos há muito tempo que indiciavam uma intervenção desta natureza", afirmou.
Se fosse Presidente da República, Mendes traçou a sua prioridade: "Se eu fosse presidente, neste momento, a única grande preocupação, ou pelo menos a principal preocupação, seria com a comunidade de pessoas".
Além da preocupação com a comunidade, o candidato a Belém apontou uma segunda, que classificou de "desescalada desta intervenção".
"Terceiro, importa recordar que a União Europeia, em geral, nunca reconheceu as eleições últimas na Venezuela e também tem um afastamento enorme, público e oficial, em relação ao regime de Maduro", disse.
No entanto, questionado se esta posição internacional legitima a intervenção dos Estados Unidos, remeteu essa avaliação para mais tarde.
"É tudo neste momento ainda muito incerto. O que é que vai acontecer? Uma mudança de presidente? Uma mudança de regime? Uma revolta dentro da Venezuela? O que é que vai acontecer? Ainda ninguém sabe. Catalogaremos isso nessa ocasião", disse.
Pela dimensão da comunidade portuguesa, Mendes pediu "muita prudência em tudo o que se diz e tudo o que se faz".
Já questionado sobre o que devem fazer as autoridades portuguesas, o candidato disse ter informação de que a embaixada na Venezuela está "em contacto permanente" com a comunidade e com os seus representantes.
"E a comunidade está bem, a comunidade está tranquila. Como nós sabemos, a comunidade nunca apreciou muito o regime de Maduro. E a comunidade, digamos, está ansiosa, mas não está angustiada com a situação. E portanto, neste momento, não se justifica qualquer tipo de intervenção em concreto", defendeu.
No entanto, disse ser necessário acompanhar a situação porque ninguém sabe se pode resvalar para uma revolta interna ou uma mudança de regime.
O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou hoje um "ataque em grande escala" na Venezuela para a captura do chefe do Estado venezuelano, Nicolas Maduro, que foi retirado à força do país.
O Governo de Caracas denunciou uma "gravíssima agressão militar" dos Estados Unidos, após explosões na capital durante a noite, e decretou o estado de exceção.
É desconhecido, para já, o paradeiro de Nicolas Maduro.
[Notícia atualizada às 12h26]
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