Melo atira a Marques Mendes, que nega ser "facilitador de negócios"
"Não sou facilitador de negócios, nunca fui", respondeu o candidato apoiado pelos partidos do Governo (PSD e CDS-PP) no debate transmitido pela RTP, depois de Gouveia e Melo o ter instado a dizer aos portugueses qual era a sua profissão.
Antes, o antigo chefe do Estado-Maior da Armada tinha criticado a escolha dos temas do único debate que juntou os 11 concorrentes a Belém, na sua opinião mais apropriada para um debate sobre a governação, e insistido na importância de se falar da transparência dos candidatos.
Marques Mendes pediu a Gouveia e Melo que apresentasse um caso concreto daquilo que o acusava, com o seu opositor a enumerar empresas e a questioná-lo sobre "os painéis solares na Madeira".
"Não é nenhum caso concreto, são tudo insinuações. Quem não se sente, não é filho de boa gente", declarou o candidato apoiado por PSD e CDS-PP, falando em "ordinarice" da parte do ex-almirante, que contrapôs: "ordinário é favorecer".
A troca de acusações aconteceu numa altura em que os 11 candidatos falavam de imigração e do seu impacto na economia, com André Ventura, líder do Chega, a garantir que nunca aceitará que "nenhum número de crescimento possa pôr em causa" a identidade e segurança dos portugueses.
"Se pagassem bem aos portugueses, se calhar não precisávamos tanto de imigrantes", defendeu André Ventura, antes de 'responsabilizar' António José Seguro pelo crescimento da imigração.
"Está na eleição errada, dou-lhe o número do José Luís Carneiro [secretário-geral do PS]", retorquiu Seguro.
Para o candidato apoiado pelo PS, "a economia precisa de imigrantes e isso é um dado adquirido", mas, segundo, Jorge Pinto, apoiado pelo Livre, urge "dar condições" a todos os que queiram viver em Portugal.
"É preciso falar verdade sobre a imigração: a esmagadora maioria dos imigrantes vem cá para trabalhar, para sustentar a sua família. Não vem para cometer crimes", afirmou António Filipe, o candidato apoiado pelo PCP, para quem a extinção do SEF foi "um erro gravíssimo".
Portugal não pode viver sem imigração, admitiu o pintor Humberto Correia, para quem, ao mesmo tempo, o povo português "não pode ser absorvido".
"Nós ouvimos aqui atacar os imigrantes porque não se quer debater a economia que temos", salientou Catarina Martins, a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, ao salientar que o problema do país "não é onde cada pessoa nasceu, é o salário baixo".
Já para João Cotrim Figueiredo, "sem crescimento económico, não há qualquer hipótese de financiar os serviços públicos" num país que tem burocracia e impostos a mais.
"Portugal tem de voltar a ter condições para crescer a 3%", disse o eurodeputado, apoiado pela Iniciativa Liberal, enquanto o músico Manuel João Vieira alertou para "um desequilíbrio na questão da geografia populacional", com grande parte da população concentrada no Litoral e um interior deserto.
Já o sindicalista André Pestana acusou os restantes candidatos de demagogia, por não dizerem onde iriam buscar o dinheiro para financiar as suas propostas, e prometeu acabar com os subsídios aos partidos.
Os portugueses elegem o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa em 18 de janeiro, numas eleições com recorde de candidatos e cuja segunda volta, a realizar-se, decorrerá a 08 de fevereiro.
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